Mural das Lamentações

1 02 2011

Há uma espécie de prazer na lamentação, e maior do que aquilo que se pensa.
Marie Sévigné


Em épocas de microposts (leia Twitter) e redes sociais, todo mundo é um pouco poeta. E como todo bom poeta, todo mundo é um pouco sofredor. Nada demais, na verdade. Nada que não seja a vida cotidiana, o dia a dia, aquela lamentaçãozinha básica na fila do caixa do supermercado reclamando da demora, do tempo, do preço do detergente líquido.

ETZEV SHEL ISRAEL

O que tem me incomodado bastante, porém, é a adoração pública dedicada a esse tipo de prática. No Twitter, Facebook, Orkut, na tagline do MSN, muitas pessoas tem dedicado suas línguas – ou dedinhos, nesse caso – a externalizar a dor. Não obstante a dor, mas o sofrimento e, principalmente, a lamentação. Coisas dóem, mas ninguém quer ouvir um discurso quando leh cumprimenta com um frio e distante “bom dia”. Pessoas transformam o Mural do Facebook ou a timeline do Twitter em Muro das Lamentações e ficam batendo suas cabeças na mesma dor durante dias, semanas, esperando que ela pare de doer. Não vai parar.

Essa cultuação pública do sofrimento, infelizmente, não é uma causa, mas um sintoma. Uma sociedade doente, sente dores e isso não é novidade. A raiz, porém, está no culto à dor como forma de tentar superá-la (e, sim, eu acredito na sinceridade das pessoas que tentam superar a dor). Acaba-se por criar, nesses casos, uma situação de busca de necessidade e atenção: grande parte desses lamentos são “dirigidos” a uma ou outra pessoa, uma forma de tentar atingí-la com a própria dor. Isso funciona? Não acredito.

Lamentar algo que aconteceu, ainda que nas redes sociais virtuais, é natural, é normal, é compreensível. Vez ou outra, entre júbilos, conquistas, derrotas e marteladas no dedão, externamos sentimentos os mais variados e, inclusive, lamentações. Transformar o sofrimento na sua única faceta visível é triste, aumenta a dor… e é chato pra caramba.

O mundo inteiro não precisa saber da dor crônica que sentimos ao acordar. Ainda que esta seja no coração. Para esses casos, o ombro de um amigo é um remédio muito mais eficaz.


Lamentos são um desperdício de tempo. Eles são o passad minando o presente.
Katherine – Fala do filme Sob o Sol da Toscana





Diário de Viagem 2010 – Festa nas Ruas

7 07 2010

As ruas de Madrid estão em festa. O jogo em que a Espanha derrotou a Alemanha por 1 x 0, gol de Puyol, deixou o povo em pólvora. Na praça em frente à Puerta del Sol, a alegria é expressa das formas mais distintas: até um Puyol cover tem aqui fazendo gols de cabeça! As duas fontes da praça viraram piscinas para os jovens – no calor madrilenho, nada mau. Enquanto alguns cantam e dançam, uma bola de futebol anima toda a praça, com os pernas de pau correndo de lado a outro, chutando a Jabulani para o lado que o nariz estiver apontado: geralmente para cima.

De minha parte, o projeto ‘Final em Barcelona’ está quase lá! Que polvo que nada! Cravei Espanha na final há mais de 20 dias!

;-)

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Diário de Viagem 2010 – Espremidos pela Laranja Mecânica

2 07 2010

Patriotismo de momento, né?

Fui assistir o jogo Brasil x Holanda em uma praça no Rossio. Devidamente trajado: camiseta do São Paulo, bandeira do Brasil nas costas – que meu pai me deu no aeroporto, antes do embarque, e câmera fotográfica a postos. Vamos torcer! Os tugas continuam a nos tratar mal – a nós, brasileiros – por causa da eliminação deles diante da Espanha. Chegaram a dizer que devíamos tê-los deixado ganhar para que não enfrentassem a Espanha logo de cara. Para, né? Café com leite, agora?

Eu realmente não estava confiante: tinha visto os jogos da Holanda e é a equipe melhor armada do torneio. Passes de primeira, movimento em bloco, velocidade e força compensando a habilidade reduzida. No Brasil, sobrava auto-confiança, até demais para o meu gosto.

Festa na hora do gol!

E foi o que vimos: um Brasil que achava que ganharia o jogo a qualquer momento. Mas se o jogo tem 90 minutos é porque o minuto que importa mesmo é o último, aquele em que o árbitro apita e tudo está decidido. Não vou falar do jogo, todos vocês viram – creio. Mas vou falar da festa: primeiro que foi super legal assistir com a galera na praça. Para quem viu o último jogo sozinho em casa arrumando mala, foi muito bom! E não só os amigos que lá estavam, mas também algumas centenas de brazucas espalhados por terras lisboetas. E, o mais divertido, algumas poucas dezenas de holandeses. Todos juntos assistindo, torcendo cada um para seu próprio time, brincando uns com os outros, mas com muito respeito. Não imagino isso no Brasil. Tinha holandeses na minha frente, no meio da galera, e todo mundo brincando. Foi uma experiência que não pretendo esquecer: dá pra torcer e ser amigo ao mesmo tempo! Aliás, temos 4 anos para aprender isso.

No fim, holandeses vinham cumprimentar, dizer que gostam do Brasil, que o gol do Robinho foi lindo e que ficavam tristes pelo Brasil sair, mas que estavam felizes pela Holanda. Com respeito, abraços, sorrisos e brincadeiras. Gente civilizada é outra coisa.

Espremidos pela Laranja Mecânica, não desrespeitaram nosso estado de bagaço (putz, que piegas ficou isso!)

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Anti-Rebolation

24 04 2010

Excelente o trabalho do DC Studio sobre Rebolation, Creu e derivados…

Anti-rebolation





Uma censura à Censura

21 01 2010

No final de semana passado, discutia com um tio sobre o famigerado PNDH3 e sua questão midiatica, a censura aos meios de comunicação lá presentes. A conversa gerou dois assuntos, que tratarei em posts separados: ditadura e censura.

Creio que por não entender exatamente a profundidade do que lá se encontra, ele defendia a censura. Seu argumento é conhecido pelos mais velhos: hoje em dia só passa violência na TV. Não concordo totalmente que seja verdade, mas confesso que ao ver certas Malhações, Fazendas e BBBs, dá uma pontinha de simpatia pela censura, mas logo passa. =P

Meu ponto para ele é: um pouco de censura é censura demais. Hoje eu sempre tenho a possibilidade de mudar de canal. E se nada me agradar, desligo a TV e vou ouvir música, ler um livro. Mas a parte bela é justamente essa: eu sou livre pra escolher. Essa liberdade, em tempos de censura, não existe. Não?!? NÃO!!!

Posso não gostar de tudo que passa na TV, rádio, jornal, mas não posso reclamar da possibilidade de escolher o que ver. Num ambiente de censura ainda podemos desligar a TV, mudar o canal, mas – efetivamente – não escolhemos o que ver: ‘eles’ escolhem por nós. Bonzinhos, não? Mas pense um pouco: eles quem??? O governo, oras. Ou qq outro nome bonito para isso.

Agora imagine: se um Arruda fosse esse governo, nunca teríamos lido sobre o escândalo dos panetones. Se fosse o Azeredo, nunca saberiamos do Mensalao mineiro. E se for a Dilma? Mensalao, dólares na cueca, falsos dossiês contra adversários, apagão e outros bichos nunca serão de nosso conhecimento.
Há quem diga que a ignorância – o ato de ignorar, não saber algo – é uma benção.
Você acha?





Aborto, suicídio e prostituição

18 01 2010

Sei que vou criar algumas animosidades com esse texto e talvez perca alguns seguidores, mas tudo bem. Isso é o resultado da tal “liberdade de expressão”, da qual falarei em outro texto, em outro momento.

Um bebê ou um feto? Tem direitos ou é só... uma coisa?

A questão do Haiti, a despeito da enorme necessidade daquele povo, foi um alívio para a ala mais radical do atual governo. O controverso lançamento do PNDH3 pela Sec. dos Direitos Humanos – com aval da Min. da Casa Civil, Dilma Roussef, e  assinatura do Pres. Luis Inácio – criou uma situação bastante incômoda para a ministra em pleno ano eleitoral. Bem, há ao menos  4 pontos bastante problemáticos – controle de mídias (leia “censura”); fim da propriedade privada (leia “comunismo”); a tal “Comissão da Verdade”, sobre uma revisitação ao período da tortura militar, mas deixando de lado o terrorismo de certos grupos armados de esquerda; e a questão do aborto, que tratarei nesse post.

Há uma variedade de questões que desembocam nesse tema:  cultural, social, religioso, saúde pública, biologia, direito sobre o próprio corpo, economia e uma série de outros aspectos. Não vou tratar de todos. É clara minha posição religiosa, cultural e social, por exemplo. Mas o ponto hoje é outro: direitos, já que a questão foi levantada pelo Plano Nacional de Direitos Humanos.

O principal argumento – no campo dos direitos humanos – que se faz é o fato de a mulher ter direito sobre o próprio corpo. Tem razão de ser? Sem dúvida! Mas a questão – por uma razão biológica, principalmente – não é tão simples. O primeiro argumento que ataca essa questão é justamente o paradoxo em si mesmo que esse argumento possui: se a mulher tem direito sobre o próprio corpo, teria o feto o mesmo direito? E essa briga vai longe: ninguém consegue precisar onde começa a vida de fato e, portanto, a partir de que ponto esse bebê teria “direitos”. Assume-se, então, para alguns, que o feto é “parte” do corpo da mulher. Ou então não é nada. Eu disse que não entrarei nos aspectos morais, religiosos, éticos, culturais ou sociais, então ficarei no ponto dos direitos.

Há, então, alguns desdobramentos do mesmo argumento que gostaria de tratar aqui, sem entrar no direito do feto, tão controverso. Há uma questão pouco abordada, que é o direito do homem. Exatamente, do homem! Nenhuma mulher consegue fazer um filho sozinha. Mesmo para a proveta, é necessário um homem, ainda que anônimo. Se uma mulher, então, por ter um feto dentro de si poderia ter direito sobre ele, que se dirá do homem que participou da concepção? Eu sei que o tema parece ridículo, mas é real: por que a mulher tem direito sobre o bebê e o homem não? Gostaria de ouvir o que pensam sobre esse aspecto e, se possível, a opinião de juristas sobre o assunto.

“Mas eu posso tirar o feto do meu corpo se eu quiser”, dirão alguns (ou algumas). Sem dúvida! Concordo com isso. E também concordo que se faça isso sem danificar ou matar o bebê. Tem como? Não sei. Eu não vou entrar no aspecto religioso e civil para saber quando a vida começa, mas se alguém tem dentro de si algo que pertence a outra pessoa também, há que se levar em conta essa outra pessoa, não?

Muita polêmica até agora, mas meu ponto ainda é outro. Fossem todos os pontos anteriores resolvidos, sobre uma questão de igualdade. Se a mulher tem direito sobre o próprio corpo – a ponto de decidir realizar um aborto, não poderia também decidir cometer um suicídio assistido num hospital? E quanto à prostituição, crime no Brasil, não deveria então ser uma questão de “direito sobre o próprio corpo”? E nem vou entrar no aspecto das drogas, já que esses podem ter efeitos sobre o corpo de outras pessoas, mas a questão não é mais ampla do que faz parecer a questão do aborto? E, se a mulher tem esse direito, por que não os homens também? E não me venham com o papo de “Na Holanda isso e aquilo…”, pois vivemos no Brasil, outro país, outra cultura, outro esquema.

Tenho outros argumentos ainda, mas gostaria de ouvir a opinião de vocês antes de falar algo mais. Que pensam sobre o assunto?



Imagem do blog A Romancista





MST Online

7 01 2010

Do amigo @lnishimori

Nem no Farmville...





Paradoxo Internacional: Quem é o Brasil? II

3 01 2010

Brasil, mostra a tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim!
Cazuza


Antes de mais nada, preciso explicar o que é este post. Ele é uma resposta ao desafio do João Victor Guedes em seu blog Uai, jovem! (cuja leitura recomendo). O Victor postou um texto chamado Paradoxo Internacional: quem é o Brasil? e lançou o desafio para que eu responda. Na verdade, creio que isso se tornará uma “discussão bloguística”, muito saudável e interessante, a meu ver.

Vamos lá, recomendo a leitura do texto do Victor antes de continuar a leitura aqui. Vai lá… eu espero


Ok, então vamos lá. O Victor abordou a questão do brasileiro e sua imagem lá fora. Não tive muitas oportunidades no exterior – ainda. O máximo que fiz foi uma mochilada desastrada pela Europa. E já foi muito bom mesmo para mim. Aprendi coisas em 3 semanas que demorei 30 anos para entender. E me apaixonei pelo Velho Mundo. Mas ok, já estou ficando nostálgico aqui.

Minha intenção é abordar a questão da imagem institucional do Brasil (apesar de entender que – individualmente – a imagem do brasileiro é mais relevante que isso). Mas vou deixar essa questão para outro momento e chamar algumas pessoas muito queridas que estão vivendo fora para darem sua posição quanto ao tema (vixi, mais alguns blogs na brincadeira): Jorge Trimboli, argentino-brasileiro vivendo nos EUA; Tiago Luchini, amigo do peito e irmão camarada, vivendo com a família na Finlândia; Lucilene Pavão, prima vivendo na Inglaterra há 6 anos; e Fernanda Seloti, minha mana caçula que está trabalhando nos EUA. Darei a eles a palavra para responderem – aqui ou em seus próprios blogs.

Continuamos a discussão a partir desse ponto, tão logo eles tenham dado alguma posição, fechado? Vamos ver se a experiência funciona.





O pseudo-blog do Planalto

9 09 2009

Ter um blog do Planalto (e falo de Estado, não de Governo) seria um avanço tremendo no processo de transparência e relação dos governantes com o cidadão. Nem vou entrar no mérito das piadas sobre o Lula escrever um blog. Este post – sem dúvidas – é sério.

O termo “seria” não foi um erro, mas uma esperança. E por que “seria” e não “é”, já que existe um blog do Planalto?

Governo digital ou propaganda na internet?

Governo digital ou propaganda na internet?

Porque o que existe não é um blog, é uma página de notícias, ao melhor modelo de mídia tradicional, como um telejornal da Globo ou a revista Caras. Sim, o blog do Planalto é a Caras do Lula.

E por que digo isso? Por que chamo esse “blog” de um “pseudo-blog”? Porque, de fato, ele não é um blog! Tecnicamente falando, um blog é um log, um registro diário na internet. Nesse sentido, o blog do Planalto poderia ser considerado um blog. Mas não estamos falando de tecnicidades, mas de praticidades e, em termos práticos, um blog deve ser interativo. Um blog deve permitir comentários e deve, inclusive, responder a esses comentários. Um blog deve linkar outros blogs e é de bom tom que permita trackbacks, que são os links de retorno ao blog, por onde se sabe o que é falado sobre aquele blog.

E o blog do Lula não permite isso. Ele é apenas mais um canal de comunicação de via única. Não é interativo, não é transparente e é mal gerido! Como assim, “mau gerido”??? Vamos lá… eu sou um cara. Professor universitário, consultor de empresas. Tenho 2 blogs ativos (este e o meu blog acadêmico). Escrevo em mais um blog como convidado e estou em vias de começar a escrever em outro. São 4 blogs. Respondo a todos os comentários e faço tudo isso sozinho, sem falar em outras ferramentas de comunicação (twitter, GTalk, e-mail, etc). E o blog do Lula? Esse tem 6 funcionários! 6 pessoas em tempo integral para postar uma notícia nova por dia!!! Se cada um trabalhasse 8 horas, teriamos duas pessoas online direto, 24 horas por dia! Mesmo sendo um blog procurado e, portanto, com milhares de vezes mais comentários que o meu, ainda não seria nada absurdo. Vamos a uma conta simples: se cada um gastar 2 horas com matérias e 6 horas respondendo comentários, vamos colocar um tempo médio de 5 minutos por comentário, em duas pessoas por turno, estamos falando de ler e responder mais de 400 comentários por dia. Qualquer um com um blog mais movimentado sabe que 400 comentários por dia é praticamente um absurdo! O blog da Casa Branca (outro pseudo-blog) tem em média 500 hist por post. Se 10% comentassem, seriam 50 comentários por post. Longe dos 400 que seria possível tratar no blog do Planalto. No Brasil, alguns dos blogs mais acessados e comentados tem menos de 100 comentários por posts. Em outras palavras, nã há razão de ordem prática para evitar os comentários. A não ser que o problema não seja a quantidade, mas o conteúdo…………………….

Estaria o blog do Planalto, e aqueles que ocupam Brasília, com medo do que o povo tem a dizer? Ou será que é muito

Voto

Votar é democracia? Ou democracia é exercer?

estar mais próximo do povo quando não é época de eleição? Ano que vem, vão estar todos aí de novo. E nós? Infelizmente, nem lembramos em quem votamos para vereador nas últimas eleições há dois anos, quem dirá iremos lembrar que o blog do Planalto não está interessado no que pensamos, apenas no nosso voto.

Democracia: do povo, pelo povo, para o povo… e sem o povo. Democracia mesmo, só nos livros de escola.





Mudança de Hálito

8 05 2009

Sim, ele marcou gol no São Paulo, vem carregando o Curinthia nas costas e o considero diretamente responsável pelo título paulista do time da Marginal sem número (há quem diga que é isso que explica o excesso de peso do craque… vai saber). Apesar de tudo, abaixo vai um vídeo muito engraçado! Vale mesmo a pena ver até o final! Chorei de rir aqui





Se conselho fosse bom…

21 04 2009

Maradona deve deixar de pensar como jogador, diz Dunga.

dungaEle pode dizer isso com experiência. Não só parou de pensar como jogador, como nunca mais caiu nessa tentação de… pensar.







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