Fui assistir o jogo Brasil x Holanda em uma praça no Rossio. Devidamente trajado: camiseta do São Paulo, bandeira do Brasil nas costas – que meu pai me deu no aeroporto, antes do embarque, e câmera fotográfica a postos. Vamos torcer! Os tugas continuam a nos tratar mal – a nós, brasileiros – por causa da eliminação deles diante da Espanha. Chegaram a dizer que devíamos tê-los deixado ganhar para que não enfrentassem a Espanha logo de cara. Para, né? Café com leite, agora?
Eu realmente não estava confiante: tinha visto os jogos da Holanda e é a equipe melhor armada do torneio. Passes de primeira, movimento em bloco, velocidade e força compensando a habilidade reduzida. No Brasil, sobrava auto-confiança, até demais para o meu gosto.
Festa na hora do gol!
E foi o que vimos: um Brasil que achava que ganharia o jogo a qualquer momento. Mas se o jogo tem 90 minutos é porque o minuto que importa mesmo é o último, aquele em que o árbitro apita e tudo está decidido. Não vou falar do jogo, todos vocês viram – creio. Mas vou falar da festa: primeiro que foi super legal assistir com a galera na praça. Para quem viu o último jogo sozinho em casa arrumando mala, foi muito bom! E não só os amigos que lá estavam, mas também algumas centenas de brazucas espalhados por terras lisboetas. E, o mais divertido, algumas poucas dezenas de holandeses. Todos juntos assistindo, torcendo cada um para seu próprio time, brincando uns com os outros, mas com muito respeito. Não imagino isso no Brasil. Tinha holandeses na minha frente, no meio da galera, e todo mundo brincando. Foi uma experiência que não pretendo esquecer: dá pra torcer e ser amigo ao mesmo tempo! Aliás, temos 4 anos para aprender isso.
No fim, holandeses vinham cumprimentar, dizer que gostam do Brasil, que o gol do Robinho foi lindo e que ficavam tristes pelo Brasil sair, mas que estavam felizes pela Holanda. Com respeito, abraços, sorrisos e brincadeiras. Gente civilizada é outra coisa.
Espremidos pela Laranja Mecânica, não desrespeitaram nosso estado de bagaço (putz, que piegas ficou isso!)
Que mania de achar que cor de pele torna alguém melhor ou pior! Daqui a pouco a patrulha do politicamente correto vai dizer que a cor do olho torna alguém melhor ou pior que outros. Ops… o Lula já fez isso! Que coisa aborrecida…
A revista Caros Amigos, como parte da imprensa (que a esquedoente chama de “mídia”), distorceu um discuros do sen. Demóstenes sobre o assunto numa clara tentativa de demonizar (sim, com trocadilho feito por eles) o senador do partido que expulsou seus mensaleiros (ao contrário do que fez o PT, que os exaltou a líderes da campanha da mãe do Chuck). Vale ler lá (mas use camisinha… aquilo é sujo).
Por que não pegarmos os dados de evolução histórica da participação do negro na economia para verificarmos se está ou não aumentando como um processo social natural, e não como uma cassação de direitos de alguém por ser branco para dar a alguém por ser negro?
Se, hoje, 23% dos estudantes são negros, há 10 anos esse número era menor. E daqui a 10 anos provavelmente será maior. E assim deve ser! Isso chama-se conquista!
Ao invés de se preocupar com a cor da pele de alguém, deveriamos nos preocupar em erradicar a pobreza, o analfabetismo, aumentar a média de leitura do brasileiro. Pouco me importa a cor da pele, da calça ou da cueca. Quero é poder sentar num café para discutir em alto nível com pessoas inteligentes e preparadas. Negro, branco, rosa, verde? Que me importa??? Me importa o que vai abaixo da pele. Dentro.
O texto “Uma censura a censura” ainda rende debate. Uma das pessoas com quem gosto de discutir é o Ale Nogueira, que respondeu ao texto. Achei que vale um copy + paste do argumento dele e da minha resposta aqui. Ele em verde, eu em azul.
Ale Nogueira
Então, podemos dizer que você é a favor da censura em casa e não na programação da TV? Afinal, este “filtro” nada mais é do que a censura em menor escala, se limitando ao alcance dos filhos/ jovens sob sua responsabilidade.
Com relação à comparação do ataque nuclear para acabar com as cobras, que vieram para acabar com os ratos e etc… concordo que é uma ação extrema, mas também são necessárias algumas medidas extremas quando a situação começa a fugir do controle.
Claro que o ideal seria que, antes de chegar a este ponto extremo, fossem tomadas as providências para uma mudança radical de mentalidade, através do investimento em cultura e tudo mais. Mas isto não faz parte da realidade e, infelizmente, a programação perniciosa que contamina a maioria dos canais abertos vai continuar a assolar os nossos lares. Assim como as cobras dominariam nosso território, sem uma ação extrema para controle das mesmas.
Na verdade tudo acaba sendo reflexo do comportamento humano em geral, que não se preocupa com as consequências de seus atos, deixando sempre para a próxima geração para resolver o problema. A programação ofensiva da TV hj, é reflexo (ou uma releitura) da política de pão e circo, adotada pelos romanos na antiguidade, sendo modificada de tempos em tempos para se adequar ao tipo de população que tenciona alienar.
Claro que a discussão então iria muito além da simples censura x não censura… mas acho que faltariam caracteres para dar esta continuidade. A idéia que fica então, como sempre, é parar pra refletir até que ponto decisões extremas (inclusive a postura extremista contra a censura) são realmente efetivas, ou somente ilusórias.
Resposta de S.L. Snake
Um monte de assuntos juntos, vamos lá
1 – “Censura em menor escala”: errado. Se alguém te proíbe de publicar algo, é censura. Se te proíbe de dizer, é censura. Se te proíbe de assistir, é censura. Se você escolhe não ver, é escolha. Se um filho é responsabilidade de um pai, é o próprio pai (e mãe) quem deve escolher por ele, certo? É o princípio da menor idade.
2 – Sim, situações fora do controle demandam medidas extremas. Meu controle ainda tem pilha, posso desligar a TV e ler um livro. Não preciso de medidas extremas. Uma medida extrema proibiria o boquete da Tessália ao vivo – o que parece saudável que se bloqueie – e também bloquearia a exibição dos dólares na cueca dos acessor do José Genoino ou do panetone do Arruda – que não é saudável. Joga-se a criança fora com a água da banheira.
3 – Reflexo do comportamento: bingo! Cobras são a melhor opção para matar ratos? Sem dúvida, são comprovadamente eficazes, mas e as consequencias disso? Ou melhor é limpar as cidades (o que inclui seus subterrâneos)? Mas é mais caro e difícil, certo? Normalmente, escolhe-se o “fácil” e deixa-se a consequencia para quem vem depois.
4 – “Postura extremista contra a censura”: não acho que o “mercado” seja tão absurdamente eficiente em se auto-regular. Mas penso que o governo é ainda menos. Entre os dois, escolho outra opção: as pessoas escolhem o que querem ou não assistir. Se o BBB é um lixo, ele só está na 10ª edição porque um monte de gente assiste aquilo. Se Datena gosta de sangue, ele só está no ar porque tem gente que também gosta. Havia um jornal antigamente – Notícias Populares – que mostrava as duas coisas: sangue e mulher pelada. Literalmente: imagens de acidentes de dar nó na boca do estômago e mulheres literalmente nuas. Era motivo de piada, mas vendia. Censure a TV e o próximo passo será censurar a internet. Depois, as manifestações públicas. Aì já estaremos vivendo na Venezuela ou na China.
No texto Uma censura à censura, disse que o assunto havia surgido de uma conversa com um tio e que havia dois desdobramentos: censura e ditadura. Hoje falarei da ditadura.
Meu tio defendia a ditadura com um argumento simples: segurança. Ele – que havia sido carcereiro no Carandiru – disse que decidiu se aposentar quando o pessoal dos Direitos Humanos forçou a barra para colocarem um “tapetinho” para os presidiários pisarem durante as revistas, alegando que o chão frio faria mal a eles. Para ele, foi a gota d’água.
Na hora me lembrei do Suplicy indo defender os sequestradores do Abílio Diniz, em 1989. Eu tinha 10 anos, mas lembro da cena na frente do cativeiro. Acho que há uma extrapolação da violência nas cadeias, violência policial e tudo mais? Sem dúvida! Mas daí a trocar os colchões queimados a cada rebelião, ao invés de instalar bombas de sucção contra enchente, é demais. Acho que preso tem que trabalhar para pagar a “estadia”. Vida mansa, ja chega a dos políticos que viajam às nossas custas com suas modelos a tiracolo, mas volto ao ponto.
A defesa dele acerca da ditadura me assustou, mas parei pra pensar: por quê? E todo o argumento dele, na verdade, girava em torno da segurança. Logo pensei, então, que a questão não é a ditadura, mas a impressão de segurança que vem com a ditadura. Mas daí lembrei da sensação de segurança que tive ao andar pelas cidades (algumas) na Europa. Não faz sentido associar ditadura (de esquerda ou direita, whatever) a segurança. Faz sentido associar educação à segurança. Faz sentido associar crescimento econômico à segurança. Nesses casos, a segurança seria obtida por dois fatores: um povo com um nível de conhecimento cultural superior tenderá a entender melhor o outro e a respeitá-lo; ao mesmo tempo, o aumento da renda individual proporcionada pelo crescimento econômico reduziria a quantidade de necessitados cometendo crimes.
No outro extremo, falando das ditaduras de esquerda, ontem mesmo morreu um estudante na Venezuela de Chavez. O banho de sangue parece apenas ter começado: já se inicia um movimento de revolta no país pelas camadas populares, mas essa história ainda não tem fim. Falemos da ditadura russa, cubana e chinesa, com seus centenas de milhares de mortos. Não me parece que uma ditadura dessa possa falar de segurança. Tampouco o falará a ditadura militar chilena, com seus milhares. Em outras palavras: a ditadura bota terror e cria uma falsa sensação de segurança (ao mesmo tempo que cria uma situação de insegurança pessoal terrível, certo?)
Em parte, é verdade, porém, que crescimento econômico reduz a violência. Mas tem um outro fator: inteligência. Sim, inteligência no combate à criminalidade. No caso do Abílio Diniz, havia 2 canadeneses de classe média alta no meio. A menina que concebeu o plano de morte dos pais, Suzanne von Richtoffen, era rica. E o rapaz que matou a namorada em Santo André era pobre, mas não foi isso que motivou o crime, certo? O que quero dizer: quem porta arma nos morros cariocas não são os trabalhadores mais pobres, mas uma máfia bem remunerada. É preciso dinheiro para comprar uma AR-15, não? E é preciso inteligencia militar, vigilância das fronteiras (não existe isso no Brasil hoje), treinamento das polícias, uso de sistemas de informação (alguns até mesmo bem baratos hoje em dia).
No fim, não é a ditadura quem coibe o crime, é o crime que tem que ser tirado dos corações e mentes. E isso não é trabalho (só) da polícia, é das escolas… e dos pais.
No final de semana passado, discutia com um tio sobre o famigerado PNDH3 e sua questão midiatica, a censura aos meios de comunicação lá presentes. A conversa gerou dois assuntos, que tratarei em posts separados: ditadura e censura.
Creio que por não entender exatamente a profundidade do que lá se encontra, ele defendia a censura. Seu argumento é conhecido pelos mais velhos: hoje em dia só passa violência na TV. Não concordo totalmente que seja verdade, mas confesso que ao ver certas Malhações, Fazendas e BBBs, dá uma pontinha de simpatia pela censura, mas logo passa. =P
Meu ponto para ele é: um pouco de censura é censura demais. Hoje eu sempre tenho a possibilidade de mudar de canal. E se nada me agradar, desligo a TV e vou ouvir música, ler um livro. Mas a parte bela é justamente essa: eu sou livre pra escolher. Essa liberdade, em tempos de censura, não existe. Não?!? NÃO!!!
Posso não gostar de tudo que passa na TV, rádio, jornal, mas não posso reclamar da possibilidade de escolher o que ver. Num ambiente de censura ainda podemos desligar a TV, mudar o canal, mas – efetivamente – não escolhemos o que ver: ‘eles’ escolhem por nós. Bonzinhos, não? Mas pense um pouco: eles quem??? O governo, oras. Ou qq outro nome bonito para isso.
Agora imagine: se um Arruda fosse esse governo, nunca teríamos lido sobre o escândalo dos panetones. Se fosse o Azeredo, nunca saberiamos do Mensalao mineiro. E se for a Dilma? Mensalao, dólares na cueca, falsos dossiês contra adversários, apagão e outros bichos nunca serão de nosso conhecimento.
Há quem diga que a ignorância – o ato de ignorar, não saber algo – é uma benção.
Você acha?
Sei que vou criar algumas animosidades com esse texto e talvez perca alguns seguidores, mas tudo bem. Isso é o resultado da tal “liberdade de expressão”, da qual falarei em outro texto, em outro momento.
Um bebê ou um feto? Tem direitos ou é só... uma coisa?
A questão do Haiti, a despeito da enorme necessidade daquele povo, foi um alívio para a ala mais radical do atual governo. O controverso lançamento do PNDH3 pela Sec. dos Direitos Humanos – com aval da Min. da Casa Civil, Dilma Roussef, e assinatura do Pres. Luis Inácio – criou uma situação bastante incômoda para a ministra em pleno ano eleitoral. Bem, há ao menos 4 pontos bastante problemáticos – controle de mídias (leia “censura”); fim da propriedade privada (leia “comunismo”); a tal “Comissão da Verdade”, sobre uma revisitação ao período da tortura militar, mas deixando de lado o terrorismo de certos grupos armados de esquerda; e a questão do aborto, que tratarei nesse post.
Há uma variedade de questões que desembocam nesse tema: cultural, social, religioso, saúde pública, biologia, direito sobre o próprio corpo, economia e uma série de outros aspectos. Não vou tratar de todos. É clara minha posição religiosa, cultural e social, por exemplo. Mas o ponto hoje é outro: direitos, já que a questão foi levantada pelo Plano Nacional de Direitos Humanos.
O principal argumento – no campo dos direitos humanos – que se faz é o fato de a mulher ter direito sobre o próprio corpo. Tem razão de ser? Sem dúvida! Mas a questão – por uma razão biológica, principalmente – não é tão simples. O primeiro argumento que ataca essa questão é justamente o paradoxo em si mesmo que esse argumento possui: se a mulher tem direito sobre o próprio corpo, teria o feto o mesmo direito? E essa briga vai longe: ninguém consegue precisar onde começa a vida de fato e, portanto, a partir de que ponto esse bebê teria “direitos”. Assume-se, então, para alguns, que o feto é “parte” do corpo da mulher. Ou então não é nada. Eu disse que não entrarei nos aspectos morais, religiosos, éticos, culturais ou sociais, então ficarei no ponto dos direitos.
Há, então, alguns desdobramentos do mesmo argumento que gostaria de tratar aqui, sem entrar no direito do feto, tão controverso. Há uma questão pouco abordada, que é o direito do homem. Exatamente, do homem! Nenhuma mulher consegue fazer um filho sozinha. Mesmo para a proveta, é necessário um homem, ainda que anônimo. Se uma mulher, então, por ter um feto dentro de si poderia ter direito sobre ele, que se dirá do homem que participou da concepção? Eu sei que o tema parece ridículo, mas é real: por que a mulher tem direito sobre o bebê e o homem não? Gostaria de ouvir o que pensam sobre esse aspecto e, se possível, a opinião de juristas sobre o assunto.
“Mas eu posso tirar o feto do meu corpo se eu quiser”, dirão alguns (ou algumas). Sem dúvida! Concordo com isso. E também concordo que se faça isso sem danificar ou matar o bebê. Tem como? Não sei. Eu não vou entrar no aspecto religioso e civil para saber quando a vida começa, mas se alguém tem dentro de si algo que pertence a outra pessoa também, há que se levar em conta essa outra pessoa, não?
Muita polêmica até agora, mas meu ponto ainda é outro. Fossem todos os pontos anteriores resolvidos, sobre uma questão de igualdade. Se a mulher tem direito sobre o próprio corpo – a ponto de decidir realizar um aborto, não poderia também decidir cometer um suicídio assistido num hospital? E quanto à prostituição, crime no Brasil, não deveria então ser uma questão de “direito sobre o próprio corpo”? E nem vou entrar no aspecto das drogas, já que esses podem ter efeitos sobre o corpo de outras pessoas, mas a questão não é mais ampla do que faz parecer a questão do aborto? E, se a mulher tem esse direito, por que não os homens também? E não me venham com o papo de “Na Holanda isso e aquilo…”, pois vivemos no Brasil, outro país, outra cultura, outro esquema.
Tenho outros argumentos ainda, mas gostaria de ouvir a opinião de vocês antes de falar algo mais. Que pensam sobre o assunto?
Muito se fala sobre igualdade, sobre sermos todos iguais e blá blá blá. Concordo? Em partes. Concordo que somos – ou deveríamos ser – todos iguais perante a lei, perante o Estado, perante a sociedade, como partes dela. Mas discordo quanto a essas idéias tolas de tratar os diferentes como iguais. O que quero dizer com isso? Leia com calma, pois o assunto é por demais espinhoso.
Começo com um exemplo simples, um portador de necessidades especiais que necessita de uma cadeira de rodas para sua locomoção. Somos iguais? Não! Eu posso descer as escadas do metrô, subir num ônibus, atravessar ruas.
Por Fábio Motta/AE
Ele precisa de adaptações: calçadas rebaixadas, elevadores nos metrôs. Isso me torna melhor que ele? Não! Apenas nos faz diferentes. Diferentes em como agimos, mas iguais como cidadãos. E é justamente essa igualdade que torna forçoso que o Estado rebaixe calçadas e monte elevadores: porque tanto eu quanto eles temos o mesmo direito de ir e vir, apesar de nossas diferenças. E é justo que seja assim. Justo por duas razões aparentemente conflitantes: porque somos diferentes entre nós, mas porque somos iguais perante a lei. Dessa forma, o mesmo direito que tenho eu de andar na rua, tem ele. E assim como eu exigiria que o Estado consertasse um buraco na calçada que me impede de trafegar por ela, ele tem o dever de exigir que faça guias rebaixadas para sua locomoção. Simples e cristalino.
E qual a diferença com alguns discursos que andam por aí, mais rasos que um pires? A diferença está justamente na constatação da… diferença! Não é uma igualdade cega, mas justamente a diferença que nos torna iguais. Se ignoramos as diferenças, cometemos alguns erros, pecados fatais. Ignorar a diferença entre a minha forma de locomoção e a de um cadeirante é o que faz as calçadas altas e as escadas para os metrôs. Constatar a diferença nos leva a tratamentos diferentes para pessoas diferentes, mas sempre movidos para atingir um fim comum: a igualdade perante a lei. É a constatação da diferença de condição física que criou os bancos especiais para idosos. E foi a constatação de diferenças físicas que criou a cota para negros nas faculdades? Não! Aliás, NÃO! Um retumbante não! A diferença física da cor da pele não torna alguém de fato diferente como indivíduo, que os digam os amarelos, por exemplo. Esse papo de “dívida histórica” é desculpa de gente preguiçosa. Uma cota para estudantes de escolas públicas – a despeito de sua cor – faz muito mais sentido, pois aí há diferença: no nível de ensino que os governos proporcionam e que a iniciativa privada proporciona. Essa é uma diferença real a ser tratada. Isso é igualdade de fato: tratar as diferenças para promover igualdade, não criar diferenças para gerar desigualdades.
Mas há um discurso raso, vestido de bom moço, que anda por aí a contar moçoilas desavisadas. O tal bom mocismo já está montando um harém. Que medo!
Ter um blog do Planalto (e falo de Estado, não de Governo) seria um avanço tremendo no processo de transparência e relação dos governantes com o cidadão. Nem vou entrar no mérito das piadas sobre o Lula escrever um blog. Este post – sem dúvidas – é sério.
O termo “seria” não foi um erro, mas uma esperança. E por que “seria” e não “é”, já que existe um blog do Planalto?
Governo digital ou propaganda na internet?
Porque o que existe não é um blog, é uma página de notícias, ao melhor modelo de mídia tradicional, como um telejornal da Globo ou a revista Caras. Sim, o blog do Planalto é a Caras do Lula.
E por que digo isso? Por que chamo esse “blog” de um “pseudo-blog”? Porque, de fato, ele não é um blog! Tecnicamente falando, um blog é um log, um registro diário na internet. Nesse sentido, o blog do Planalto poderia ser considerado um blog. Mas não estamos falando de tecnicidades, mas de praticidades e, em termos práticos, um blog deve ser interativo. Um blog deve permitir comentários e deve, inclusive, responder a esses comentários. Um blog deve linkar outros blogs e é de bom tom que permita trackbacks, que são os links de retorno ao blog, por onde se sabe o que é falado sobre aquele blog.
E o blog do Lula não permite isso. Ele é apenas mais um canal de comunicação de via única. Não é interativo, não é transparente e é mal gerido! Como assim, “mau gerido”??? Vamos lá… eu sou um cara. Professor universitário, consultor de empresas. Tenho 2 blogs ativos (este e o meu blog acadêmico). Escrevo em mais um blog como convidado e estou em vias de começar a escrever em outro. São 4 blogs. Respondo a todos os comentários e faço tudo isso sozinho, sem falar em outras ferramentas de comunicação (twitter, GTalk, e-mail, etc). E o blog do Lula? Esse tem 6 funcionários! 6 pessoas em tempo integral para postar uma notícia nova por dia!!! Se cada um trabalhasse 8 horas, teriamos duas pessoas online direto, 24 horas por dia! Mesmo sendo um blog procurado e, portanto, com milhares de vezes mais comentários que o meu, ainda não seria nada absurdo. Vamos a uma conta simples: se cada um gastar 2 horas com matérias e 6 horas respondendo comentários, vamos colocar um tempo médio de 5 minutos por comentário, em duas pessoas por turno, estamos falando de ler e responder mais de 400 comentários por dia. Qualquer um com um blog mais movimentado sabe que 400 comentários por dia é praticamente um absurdo! O blog da Casa Branca (outro pseudo-blog) tem em média 500 hist por post. Se 10% comentassem, seriam 50 comentários por post. Longe dos 400 que seria possível tratar no blog do Planalto. No Brasil, alguns dos blogs mais acessados e comentados tem menos de 100 comentários por posts. Em outras palavras, nã há razão de ordem prática para evitar os comentários. A não ser que o problema não seja a quantidade, mas o conteúdo…………………….
Estaria o blog do Planalto, e aqueles que ocupam Brasília, com medo do que o povo tem a dizer? Ou será que é muito
Votar é democracia? Ou democracia é exercer?
estar mais próximo do povo quando não é época de eleição? Ano que vem, vão estar todos aí de novo. E nós? Infelizmente, nem lembramos em quem votamos para vereador nas últimas eleições há dois anos, quem dirá iremos lembrar que o blog do Planalto não está interessado no que pensamos, apenas no nosso voto.
Democracia: do povo, pelo povo, para o povo… e sem o povo. Democracia mesmo, só nos livros de escola.
Dos días tarde, inicío o registro das impressões, sentimentos, idéias e observações que acontecem desde o último dia 30-Jun, ainda no Brasil. Com uma bandeja de damascos, outra de mini-croissants e bebendo um Nestea de laranja no quarto do hotel, tomo coragem para escrever. Na verdade, não é só coragem, mas agora, finalmente, tenho energia. Falo disso mais tarde.Vamos ao início: era uma vez…
A despedida foi estranha: eu realmente não senti nada. Fiquei assim durante dois dias: um estado de torpor da mente, via a todos, sorria, conversava, mas não estava lá. Não de fato. E também não estava aqui. Estava apenas longe. E é essa a tônica, esse é o sotaque pelo qual escrevo essas primeiras linhas. Nem espanhol, nem inglês, nem portugues, tampouco portunhol. Apenas torpor.
Não hoje, mas farei um relato dos passos que me trouxeram até este hotel no centro de Barcelona. E não o farei hoje, pois quero faze-lo com calma, não ainda. É uma história que se inicia 4 anos atrás e precisa ser contada com o devido cuidado. Por hora, falemos do hoje. Já é assunto para uma noite (no caso da Espanha) ou dia (no caso do Brasil) inteiro.
Ao passar pelo portão de embarque no Aeroporto de Guarulhos, a primeira coisa que notei: “Quantos notebooks!”. Sim, foi a minha primeira impressão de viagem e fiz questão de registrá-la cuidadosamente. Uma grande quantidade de pessoas passando com seus notebooks pelo sensor de metais. Eu seria mais um. Horas depois, no avião, me lembraria desse fato. “O brasileiro está melhor”, pensei.
Tive que deixar meu Vasenol no lixo do Aeroporto. Nem me dei conta que estava na mochila. Para os desavisados e piadistas de plantão, é um utensílio bastante útil para professores que se deparam com lousas de giz. Não lembrei que estava na mochila e o segurança chegou a me dizer que eu poderia pegar um potinho menor lá fora e voltar. Neguei. E a negativa tem um símbolo. Deixa pra lá… acho que não vou mais precisar dele. Dá pra decidir uma vida em momentos como esse.
Na fila, quase chegando na conferência de passaporte, havia um grupo de adolescentes da Fundação Gol de Letra na minha frente. Muito legal o trabalho deles: os 8 melhores ganharam uma viagem: Madrid-Paris-Lyon. Raí e Leonardo continuam mandando muito bem fora de campo. Mas se isso é muito legal para as crianças, meu sono não pode dizer o mesmo: mais de 10 horas de viagem, plena madrugada no Brasil, e só consegui cochilar (bem leve) por 2:30 h. As 6:30 da manhã me acordaram abrindo as janelas do avião, andando e conversando e rindo pela aeronave. Ah, 6:30 do horário europeu de verão: 1:30 no Brasil. Tudo bem, estou viajando pela primeira vez ao exterior, em meu primeiro congresso, sozinho, cansado e minha mente não percebe nada disso. Estou apenas voando. Medo? Que medo? Quase não senti a decolagem (a parte que me faz fechar os olhos). A viagem foi super tranquila (na parte de fora da nave), a despeito de dois períodos breves de turbulência onde, em um deles, cheguei a me levantar para pegar um copo de suco no fundo do avião. A viagem mais tranquila que já fiz. Gostei!
Na hora da refeição, fui servido de penne à bolonhesa: “massa”. Foi engraçado ver gente pedindo o tal pollo sem saber o que era: “Oh, é frango!”, exclamavam ao abrir o aluminio. Minha massa não era uma maravilha, mas há 2 dias eu não sentia o gosto da comida. Pensando em maximizar o valor da passagem, fui pedir um vinho tinto para acompanhar. Ledo engano. Fui orientado por um espanhol de Madrid que sentava-se ao meu lado (e é capitão de navio, trabalhando na dragagem do porto do Espírito Santo, 40 dias lá, 40 dias cá) que o tinto no és bueno. Blanco és bueno. Fui por ele. Nota mental: “não tentar bancar o esperto”. Fiz xixi a 11 mil metros de altura. Nada de especial, na verdade. Nem mesmo o atendimento das aeromoças espanholas: grossas como touros bravos. Aliás, é uma característica que notei nas pessoas que trabalham com atendimento aqui: raros são atenciosos e costumam perder a paciência facilmente. É mais fácil chegar falando inglês com eles do que portunhol.
Chegado em Madrid, meu segundo desafio (sim, o primeiro – da viagem – foi a própria viagem de avião): passar por la policía de inmigración. Eles tem barrado muitos brasileiros nos últimos anos. E quase aumento a estatística. Não me causou surpresa. É uma questão matemática: se ficarei 4 dias no congresso e tenho reserva de 6 dias para uma viagem de 21 dias, adonde están los últimos 15 días? Disse que iria para a França, outra pergunta esperada: “Tieñes el ticket?”. Tirei um amigo frances da cartola que virá me buscar para irmos de trem. A moça olhou desconfiada e carimbou o passaporte sem levantar mais os olhos. Entendi o recado, mas, a lá mierda!! Estou no Velho Mundo!!!
Uma hora e meia de espera em Madrid. Aproveitei para ver as lojas. Um aeroporto gigante!!! Muito bonito, muito bem cuidado. Precisa de trem pra ir de um terminal ao outro
Em Barcelona, as primeiras dificuldades: celular já com pouca bateria (IHATESAMSUNG!), acabei ficando sem o roteiro pra chegar no hotel (que pretendia acessar por aí). O wifi (aqui na Espanha, fala-se uífi) não pegava e quando pegou, era pago. Apanhei, mas achei o trem, que me levou pro metro, que me levou pro hotel. UM BANHO! Era o que eu precisava.
O dia não acabou… corri pra tentar fazer o registration no congresso até as 20:00. Em vão: eita metrô devagar! Mas dele falo em outro post. Voltei pro hotel e acabou a bateria do cel e do note. O mais legal: os europeus tem uma tomada igual a nossa, aquela redondinha, mas os disgramados enfiam ela em outro buraco e, resultado, nem benjamim entra lá. Sofri e só consegui comprar o adaptador hoje (após rodar 5 andares de uma loja de departamentos que eles conhecem por El Corte Ingles). Assim, termino esse post – finalmente – com energia elétrica. Mais tarde ou amanha (pois aqui já são 22:00 e preciso levantar cedo), falarei do metrô e da primeira aventura no congresso.
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