Inspirada por meu post Eu sou um Chato, minha Mamys deixou um link que compartilho com vocês
O Chato, de Oswaldo Montenegro
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O Chato, de Oswaldo Montenegro
A bunda
(Carlos Drummond de Andrade)
A bunda, que engraçada.![cara-de-bunda-3922[1]](http://slsnake.files.wordpress.com/2010/11/cara-de-bunda-39221.jpg?w=225&h=300)
Está sempre sorrindo, nunca é trágica
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
redunda.
POEMINHO DO CONTRA
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!
Mario Quintana
A última sessão do EGOS foi fantástica! Acredito que sairei com um saldo de mais 2 publicações e alguns contatos para artigos. Uma das publicações deve sair em função do resultado do tracking, onde devemos escrever alguns capítulos para uma publicação especial e meu trabalho em Alianças Estratégicas deve ajudar em uma discussão importante. A outra publicação eu soube depois que saí: uma das participantes mandou email a todos convidando-nos a participar de um livro sobre métodos de pesquisa longitudinal. Falei com ela e o trabalho do meu artigo se encaixa em um dos capítulos que ela precisa. Ou seja, saldo super positivo! Estou muito feliz com esse congresso!!!
Agora preciso decidir para onde irei saindo de Lisboa.
A noite, devidamente trocados e arrumados – e amuados, após a derrota para a Holanda – fomos assistir a uma apresentação de fado. Foi divertido estar com o pessoal – bem divertido – e conhecer uma tradição portuguesa. Só não foi divertido pagar 9 euros em um doce de pêra.
Amanhã é o último dia de sessões no congresso. Vou deitar mais cedo pois pretendo estar lá.
Depois da Torre, fomos ao Mosteiro dos Jeronimos e à Capela de São Jerônimo. O lugar deveria ser mesmo um espaço de oração e meditação. Muito bonito, passa uma sensação de paz muito gostosa.
Lá estão os restos mortais de Fernando Pessoa, enquanto a capela comporta os restos de Vasco da Gama – considerado o maior navegador português – e Luis Vaz de Camões, que dispensa apresentações.
Saindo de lá, bem… passamos novamente nos pastéizinhos de Belém (aquilo é irresistível, hehehe).
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MARAVILHOSOS esses pasteizinhos de Belém!
Ops, comecei o post pelo final, mas, pudera, esses pasteizinhos… Do princípio: acordamos cedo e reunimos a galera (Gabi, Paty, Marcus Vinícius e Gabi) para pegar o elétrico, ou o bondinho. Caminhada longa, mas divertida. Sempre bom sair com gente divertida e chegamos na região de Belém. Na verdade, antes de qualquer outra coisa – ver a Torre, o mosteiro, a igreja – fomos comer os tão famosos pasteis de Belém. E, bem… eles valem a fama. Não tem como explicar um sabor aqui, vai. Ok, vou tentar: são leves, não muito doces, e servidos com canela e açúcar são algo que só tem lá. Sério! Esquece Habibs ou qualquer outro pretenso lugar que tente vende-los: Pasteis de Belém, só em Belém!
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Excelente o trabalho do DC Studio sobre Rebolation, Creu e derivados…
Não preciso de modelos
Não preciso de heróis
Eu tenho meus amigos
O último dia na Cidade Eterna foi certamente o mais puxado.
Desde as 10 da manhã, fiz o Vaticano e fui voltando até o final da rota que planejei (só faltou o Panteão entre os pontos principais) até a Piazza de Brasile, uma subida de 15 minutos, com mochila nas costas, sob sol forte e depois de ter caminhado por aproximadamente 4 horas, sem parar nem pra comer.
Estava exausto, mas não terminei o dia. Voltei para o albergue para pegar minha mala e, então, para o terminal. Apesar de ter visitado quase todos os pontos principais, comecei a sentir falta de algo. Ainda não fazia idéia do que.
De Roma (belíssima) peguei um trem para Pisa no fim da tarde (lembram do meu intento de passar o aniversário em frente à famosa torre?) – dá uma olhada na imagem ao lado. Tirei de dentro do trem. Viajar no trem ultra rápido é muito legal, confortável, mas descobri uma desvantagem que me deixaria em apuros: a conexão internet do celular caía a cada 2 ou 3 minutos. Problema? Não seria, mas devo explicar antes. No primeiro dia em Roma, dei um jeito de comprar um chip de dados da Wind. 10 minutos de espera depois, fui atendido. O vendedor informou que ao final daquela tarde eu já poderia acessar – grande mentira que só fui descobrir no dia seguinte quando uma vendedora de outra loja do grupo me informou que a habilitação não fora feita e que o cara da outro loja era um enrolador.
A 50 cents a hora, eu tinha 18 horas de crédito. Mais que o suficiente para reservar os hotéis, albergues e planejar o resto da viagem. Em um modelo por hora (diferente do Brasil, onde pago por tráfego), o sistema otimizado de acesso que tenho do meu celular foi uma catástrofe. O modelo italiano conta o tempo com um mínimo de 15 minutos em cada conexão. Para economizar banda, porém, meu aparelho não deixa a conexão ativa direto, mas apenas o tempo necessário para a transmissão. Junte a isso um trem a 200 km/h perdendo sinal toda hora: fiquei online por cerca de 20 minutos que só foram suficientes para ver dois albergues na lista.
Numa operação de guerra, a Deby e a Nanda – lá do Brasil – conseguiram reservar um B&B a 70 metros da torre de Pisa. Realmente fantástico. Ou seria, pois aqui começam mais apuros – o maior até agora.
Cheguei na rodoviária bem tarde e com o endereço e número de confirmação na mão – ou na caixa de mensagens do meu celular – pedi informações e comecei a caminhada até o local. No caminho, com uma mochila, notei um pequeno grupo que caminhava e falava inglês logo à minha frente. Algumas esquinas em comum depois, imaginei que fossem viajantes como eu e, quem sabe, não estivessem indo para o mesmo albergue.
Não eram. Andrea e Daniele são um casal de italianos muito simpáticos, enquanto Elizabeth é uma chinesa que mora em Pisa. Todos estudantes lá: Elizabeth faz o pós-doc e Andrea o doutorado, ambos do robótica. Foi então que descobri algo sobre Pisa: além da enorme quantidade de turistas que a cidade recebe por conta da torre, Pisa é um importante centro universitário na Itália. Tão importante que não me recordo de passar por uma rua que não tivesse, no mínimo, uma livraria. Faculdades as mais variadas – letras, biologia, física, antropologia e outras – se espalham pelas velhas ruas da cidade: é a herança viva de um dos grandes gênios, Galileu Galilei.
Apesar de não serem viajantes como eu, os três se dispuseram a me mostrar o caminho até meu destino e caminhamos até uma ponte que parece ter sido eleita pelos estudantes locais em férias como o point da noite. Centenas se reúnem ao longo da ponte, da praça em frente e da avenida ao longo do rio. Estou cada vez mais encantado pela pequena cidade. Descobri isso: apesar de ser um cara mais sossegado, gosto de cidades vivas, pulsantes. Isso explica parte do meu amor por minha cidade natal.
Cheguei, subi e descobri que o cara do albergue fizera overbook. É uma prática condenável que já foi muito utilizada
pelas companhias aéreas em épocas de vacas gordas. Há sempre um índice de desistências de última hora nesses serviços de reserva. A fim de garantir lotação total, algumas empresas – de qualidade moral questionável – aceitam reservas além de rua capacidade de operação para, retirando os desistentes, operar no limite. Muitas vezes funciona, mas é um verdadeiro risco para os clientes que, mesmo com reserva, podem ficar sem o serviço. Se não me engano, no Brasil isso foi proibido há algum tempo. Aqui ainda fazem. E fizeram comigo. Sozinho, as 23:00 em uma cidade estranha, um país estranho, com uma mala na mão e sem lugar para ficar. Há algumas horas do meu aniversário, eu só queria conseguir chorar. Não conseguia. Notei minha exaustão por sinais que estavam despercebidos: não comia há 12 horas, tinha bolhas nos pés, meus calcanhares estavam esfolados, mal conseguia puxar a mala. Nem mesmo conseguia chorar.
E tudo isso era secundário agora: que vou fazer?
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