Diário de Viagem 2010 – Desbravando Madrid II

Palácio da Justiça

Tirei o dia para caminhar pelo centro hoje. Fui sentido norte – ontem havia ido para o sul – em direção à Puerta Del Alcala – ontem vi a Puerta Del Sur. Nessa direção há mais comércios e a cidade foi, cada vez mais, me lembrando minha amada São Paulo, no Brasil. Comecei a me sentir em casa.

Bem ao lado do monumento, está a Puerta da Independência dos jardins do Buen Retiro, que é um parque grande em Madrid e que me lembrou o Ibirapuera – guardadas as devidas proporções de tamanho, com o Ibirapuera maior, e beleza, com grande vantagem para o parque espanhol.

Parque de El Retiro

Além de lindo, foi divertido ver o que fazem turistas e madrilenos no lago do parque: navegam de bote. O lago inteiro cheio de pessoas navegando em botes a remo. Fiquei tentado, mas cansado como estava de andar, acho que dormiria lá e acordaria só amanhã.

Palácio de Cristal

Mais para dentro do parque, passei pelo Palácio de Velasquez, e, por fim, pelo Palácio de Cristal (que, infelizmente, estava fechado e não rolou entrar).

A maior surpresa, porém, estava reservada para o final da tarde: encontrei o Julio Poli, que trabalhou comigo no Itau há 10 anos. E acho que fazia quase esse tempo que não o via. Fomos tomar uma sangria e ele me contou o que anda fazendo da vida: há 3 anos roda pelo mundo, trabalhando aqui e ali – Austrália, Itália, Índia, Espanha – e conhecendo o mundo.

Eu e o Julio Poli num bar em Madrid

Está na Europa há um ano e não pensa em voltar ainda. Contou-me que trabalhou lavando pratos na Austrália e estava feliz. Não sei se teria coragem, é provável que não, e bateu uma pontinha de inveja dessa vida mais “livre”. Mas qual não foi a minha surpresa quando ele me agradeceu por conseguir fazer o que está fazendo. Não entendi a princípio, e ele explicou.

Quando trabalhávamos no Itau, éramos uma equipe de 10 pessoas. Alguns de nós na época – eu, o Julia, o Renato, o Douglas e a Cel – estávamos bem cotados para promoções e tudo mais. Após 2 anos, porém, essas promoções não vinham e isso começou mesmo a incomodar. Em 3 meses, 3 dos principais membros da equipe saíram do banco para trabalhar em empresas muito reconhecidas. O Douglas foi para o JP Morgan. A Cel para a Deloitte (na época, Arthur Andersen). E eu para a Accenture (na época, Andersen Consulting). O Julio disse que a nossa saída fez o banco começar a valorizar mais o pessoal que ficou, mas, para ele, nossa saída serviu para que perdesse o medo de mudar de emprego, de tentar algo novo. E ele disse que foi assim que começou isso: depois de algum tempo trabalhando no Unibanco – após sair do Itau – ele decidiu pedir as contas, fazer as malas e se arriscar no mundo. Fiquei orgulhoso com a história e me emocionou a forma como ele me agradeceu por isso. Nada piegas e tal, mas eu realmente não esperava.

Madrid a noite

Ele acabou sendo uma ótima companhia nos dias que se seguiram na cidade que não dorme.

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Diário de Viagem 2010 – Desbravando Madrid

Primeira visão de Madrid

Para conhecer a capital espanhola, comecei pela Plaza Mayor, que ficava a 50 metros do hotel onde me hospedei. Minha primeira impressão: Estou na Piazza de S. Marcos, em Venezia. Sério, muito parecido mesmo, mas, diferente da praça italiana, da Plaza Mayor saem ruas que vão em diversas direções na cidade. E, nos prédios que circundam a praça, há diversos comércios, como o Museo do Jamon.

Museo del Jamon

O jamon é uma espécie de presunto – ou diversas espécies de presunto – espanhol. Aliás, é uma das iguarias da culinária espanhola.

Assim como Barcelona, Madrid é apaixonante. Não é uma cidade tão vibrante quanto Barcelona – ao menos não durante o dia – mas é uma cidade viva, bem diferente da Lisboa onde estive até ontem. As ruas tem muitos turistas, sim, mas há também o cotidiano, as pessoas da cidade que trabalham e caminham.

Aproveitei que estava na rua e cruzei a cidade no sentido sul para conhecer o Estádio Vicente Calderón, do Atlético de Madrid.

Estadio Vicente Calderon (Atl. de Madrid)

Só pude ver por fora, não dava pra visitar. Entrei na loja e tal. Simpatizo com o clube, mais que com o Real Madrid – muito mais – ou com o Barcelona. Sei lá.

Pior é que fiquei tentado a comprar a camiseta do são-paulino Forlán, filho do uruguaio Pablo Forlán que jogou pelo Tricolor, e craque da seleção uruguaia.

Cochilo na praça em frente ao Palácio Real. Pode?

Na volta, subi por outra parte da cidade e passei por algumas igrejas e pelo palácio real. Tudo muito bonito, gostei mesmo, mas bom foi tirar uma soneca em frente ao palácio, na praça. Muitas pessoas – jovens, crianças, idosos – sentavam na praça para conversar, tocar violão, ler. Sentei para descansar… e cochilei. Espero mesmo não ter roncado.








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Diário de Viagem 2010 – Trem das Onze

Logo mais, pego o trem para Madrid. Sim, é mesmo o trem das onze. A vantagem do trem noturno: você dorme no trem e economiza uma diária de hotel.

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Chego em Madrid as 8 da manhã.

Diário de Viagem 2010 – Espremidos pela Laranja Mecânica

Patriotismo de momento, né?

Fui assistir o jogo Brasil x Holanda em uma praça no Rossio. Devidamente trajado: camiseta do São Paulo, bandeira do Brasil nas costas – que meu pai me deu no aeroporto, antes do embarque, e câmera fotográfica a postos. Vamos torcer! Os tugas continuam a nos tratar mal – a nós, brasileiros – por causa da eliminação deles diante da Espanha. Chegaram a dizer que devíamos tê-los deixado ganhar para que não enfrentassem a Espanha logo de cara. Para, né? Café com leite, agora?

Eu realmente não estava confiante: tinha visto os jogos da Holanda e é a equipe melhor armada do torneio. Passes de primeira, movimento em bloco, velocidade e força compensando a habilidade reduzida. No Brasil, sobrava auto-confiança, até demais para o meu gosto.

Festa na hora do gol!

E foi o que vimos: um Brasil que achava que ganharia o jogo a qualquer momento. Mas se o jogo tem 90 minutos é porque o minuto que importa mesmo é o último, aquele em que o árbitro apita e tudo está decidido. Não vou falar do jogo, todos vocês viram – creio. Mas vou falar da festa: primeiro que foi super legal assistir com a galera na praça. Para quem viu o último jogo sozinho em casa arrumando mala, foi muito bom! E não só os amigos que lá estavam, mas também algumas centenas de brazucas espalhados por terras lisboetas. E, o mais divertido, algumas poucas dezenas de holandeses. Todos juntos assistindo, torcendo cada um para seu próprio time, brincando uns com os outros, mas com muito respeito. Não imagino isso no Brasil. Tinha holandeses na minha frente, no meio da galera, e todo mundo brincando. Foi uma experiência que não pretendo esquecer: dá pra torcer e ser amigo ao mesmo tempo! Aliás, temos 4 anos para aprender isso.

No fim, holandeses vinham cumprimentar, dizer que gostam do Brasil, que o gol do Robinho foi lindo e que ficavam tristes pelo Brasil sair, mas que estavam felizes pela Holanda. Com respeito, abraços, sorrisos e brincadeiras. Gente civilizada é outra coisa.

Espremidos pela Laranja Mecânica, não desrespeitaram nosso estado de bagaço (putz, que piegas ficou isso!)

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Diário de Viagem 2010 – Mosteiro e Capela de S. Jerônimo

Mosteiro dos Jerônimos

Depois da Torre, fomos ao Mosteiro dos Jeronimos e à Capela de São Jerônimo. O lugar deveria ser mesmo um espaço de oração e meditação. Muito bonito, passa uma sensação de paz muito gostosa.

Túmulo de Luis Vaz de Camões

Lá estão os restos mortais de Fernando Pessoa, enquanto a capela comporta os restos de Vasco da Gama – considerado o maior navegador português – e Luis Vaz de Camões, que dispensa apresentações.

Saindo de lá, bem… passamos novamente nos pastéizinhos de Belém (aquilo é irresistível, hehehe).

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Diário de Viagem 2010 – Torre de Belém

Tomamos caminho rumo à Torre – que resistiu ao terremoto que destruiu Lisboa e ainda ganhou uma praia por isso – uma construção pequena, sim, mas impressionante. A edificação, armada com canhões para todos os lados, seria para defender a capital das invasões por mar – ou rio, nesse caso.

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Aliás, sobre o Tejo está a maior ponte de toda a Europa, a ponte Vasco da Gama. A que vemos na foto é a 25 de Abril, que era a maior fora dos EUA quando de sua construção.

Diário de Viagem – 2010 – Às margens do Tejo

Me empolguei tanto com os tais pasteizinhos que esqueci de contar de nossa visita à Torre e ao Mosteiro. Saindo da casa que vende os pastéis, passamos por um parque muito bonito, em direção ao rio Tejo, onde encontramos um monumento em homenagem às Grandes Navegações portuguesas. Muito bonito o tema e a construção forma uma caravela sob uma visão e uma cruz sobre outra. Muito fixe!

Depois, antes de seguirmos para a Torre de Belém, paramos – eu, Gaby, Paty, Gaby e Marcus – às margens do Tejo e ficamos ali, apenas ficamos ali. Um cenário memorável, companhias excelentes e o sol da tarde no verão europeu. Muito fixe sair com a malta!