Juan
Olhou no dedo a marca da aliança e se lembrou de como foi difícil acostumar-se àquela coisinha. Agora, o que mais incomodava era o silêncio.
Fonte: Twitteratura
Como citei em post anterior, estou namorando. E é a sério. Quem me conhece sabe que já tive uma experiência ruim. E quem me conhece bem, sabe que sempre procuro aprender com experiências - boas ou ruins. Creio ter aprendido bastante. E também descobri que há muito a aprender ainda. Essa é uma das vantagens que reconheço no tempo: precisamos dele para aprender. E não costumo atribuir muitas. Não gosto de atribuir ao tempo as propriedades medicinais que a maioria das pessoas atribui. Normalmente, o tempo apenas esconde feridas… mas elas continuam lá.Anyway, a parte mais difícil tem sido confiar. Não apenas confiar aquela confiança comum, de traições e egoísmos e outras mazelas humanas. Não, isso é algo que se conquista. Falo, sim, daquela confiança do filho que pula da janela nos braços do pai quando este chama. Aquela confiança que temos quando vemos uma comida estranha e a mãe diz “Come, vai te fazer bem” e comemos, mesmo não gostando as vezes, mas confiando. Simplesmente confiando.Quando se entra em um relacionamento assim (e falo de coisas sérias, não dessa palhaçadinha de criança que vai em balada pra beijar, escolhe o mais bonitinho - e mais cheio de baba compartilhada - e diz que está apaixonado), é importante a confiança na pessoa, mas é talvez ainda mais importante a confiança nos dois, no relacionamento em si. E isso não é fácil. Nem simples.No passado, disse que
somos resultado de nossa história. E quando entramos em um relacionamento (novamente, falo de coisas sérias), levamos para este relacionamento toda essacarga, toda essa história. E aí entra a parte difícil. Levamos medos, lembranças, gostos, gestos, lembranças de gestos. Levamos um pouco de “achei que você já soubesse que sou assim ou assado”. Levamos também algumas cobranças. Tudo isso pode ser bom, mas é também potencialmente ruim. Acreditar que o outro nesse relacionamento agirá como alguém no passado é condenar essa pessoa por um crime que nunca cometeu, com a justificativa da pura potencialidade de se cometer. Em outras palavras, culpar um inocente. É errado, injusto e cruel! Mas é difícil tratar a questão.
Que se pode fazer, então? Como disse no começo, acho importante aprender sempre. E “sempre”, significa aprender inclusive com medos e situações ruins. Para isso, há que enfrentá-las, confrontá-las. Assim, por mais que doa, é importante aprender para, aí sim, levar esse aprendizado ao relacionamento, ao trato com o outro. Não como juízo, mas como compreensão, carinho e cuidado.
Estou aprendendo e há muito a trilhar nessa direção ainda. Mas cansei do silêncio. Quero ouvir os sons…
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