Novo blog: Na Toca da Cobra

13 10 2010

Caros, lancei nessa semana o blog Na Toca da Cobra, onde pretendo abordar – majoritariamente, assuntos relacionados a Sociedade e Política, mas com a mesma dose de ácidez e pessoalidade que já tratava aqui.

O que muda? Deixarei esse espaço para os temas mais pessoais (viagens, fé, vida privada, conquistas e… e… infortúnios). Se você quer acompanhar essa parte – ou seja, eu – fique por aqui. Para quem quiser discutir um pouco de política, dar opnião, falar de assuntos relacionados à sociedade e tudo mais, será bem vindo na outra toca, mas, com a mesma regra: fique à vontade, mas nem tanto!

http://tocadacobra.com.br





Colored People

12 03 2010

Que mania de achar que cor de pele torna alguém melhor ou pior! Daqui a pouco a patrulha do politicamente correto vai dizer que a cor do olho torna alguém melhor ou pior que outros. Ops… o Lula já fez isso! Que coisa aborrecida…

A revista Caros Amigos, como parte da imprensa (que a esquedoente chama de “mídia”), distorceu um discuros do sen. Demóstenes sobre o assunto numa clara tentativa de demonizar (sim, com trocadilho feito por eles) o senador do partido que expulsou seus mensaleiros (ao contrário do que fez o PT, que os exaltou a líderes da campanha da mãe do Chuck). Vale ler lá (mas use camisinha… aquilo é sujo).

Por que não pegarmos os dados de evolução histórica da participação do negro na economia para verificarmos se está ou não aumentando como um processo social natural, e não como uma cassação de direitos de alguém por ser branco para dar a alguém por ser negro?

Se, hoje, 23% dos estudantes são negros, há 10 anos esse número era menor. E daqui a 10 anos provavelmente será maior. E assim deve ser! Isso chama-se conquista!

Ao invés de se preocupar com a cor da pele de alguém, deveriamos nos preocupar em erradicar a pobreza, o analfabetismo, aumentar a média de leitura do brasileiro. Pouco me importa a cor da pele, da calça ou da cueca. Quero é poder sentar num café para discutir em alto nível com pessoas inteligentes e preparadas. Negro, branco, rosa, verde? Que me importa??? Me importa o que vai abaixo da pele. Dentro.





Mais sobre censura prévia

3 02 2010

O texto “Uma censura a censura” ainda rende debate. Uma das pessoas com quem gosto de discutir é o Ale Nogueira, que respondeu ao texto. Achei que vale um copy + paste do argumento dele e da minha resposta aqui. Ele em verde, eu em azul.

Ale Nogueira
Então, podemos dizer que você é a favor da censura em casa e não na programação da TV? Afinal, este “filtro” nada mais é do que a censura em menor escala, se limitando ao alcance dos filhos/ jovens sob sua responsabilidade.
Com relação à comparação do ataque nuclear para acabar com as cobras, que vieram para acabar com os ratos e etc… concordo que é uma ação extrema, mas também são necessárias algumas medidas extremas quando a situação começa a fugir do controle.
Claro que o ideal seria que, antes de chegar a este ponto extremo, fossem tomadas as providências para uma mudança radical de mentalidade, através do investimento em cultura e tudo mais. Mas isto não faz parte da realidade e, infelizmente, a programação perniciosa que contamina a maioria dos canais abertos vai continuar a assolar os nossos lares. Assim como as cobras dominariam nosso território, sem uma ação extrema para controle das mesmas.
Na verdade tudo acaba sendo reflexo do comportamento humano em geral, que não se preocupa com as consequências de seus atos, deixando sempre para a próxima geração para resolver o problema. A programação ofensiva da TV hj, é reflexo (ou uma releitura) da política de pão e circo, adotada pelos romanos na antiguidade, sendo modificada de tempos em tempos para se adequar ao tipo de população que tenciona alienar.
Claro que a discussão então iria muito além da simples censura x não censura… mas acho que faltariam caracteres para dar esta continuidade. A idéia que fica então, como sempre, é parar pra refletir até que ponto decisões extremas (inclusive a postura extremista contra a censura) são realmente efetivas, ou somente ilusórias.

Resposta de S.L. Snake
Um monte de assuntos juntos, vamos lá
1 – “Censura em menor escala”: errado. Se alguém te proíbe de publicar algo, é censura. Se te proíbe de dizer, é censura. Se te proíbe de assistir, é censura. Se você escolhe não ver, é escolha. Se um filho é responsabilidade de um pai, é o próprio pai (e mãe) quem deve escolher por ele, certo? É o princípio da menor idade.
2 – Sim, situações fora do controle demandam medidas extremas. Meu controle ainda tem pilha, posso desligar a TV e ler um livro. Não preciso de medidas extremas. Uma medida extrema proibiria o boquete da Tessália ao vivo – o que parece saudável que se bloqueie – e também bloquearia a exibição dos dólares na cueca dos acessor do José Genoino ou do panetone do Arruda – que não é saudável. Joga-se a criança fora com a água da banheira.
3 – Reflexo do comportamento: bingo! Cobras são a melhor opção para matar ratos? Sem dúvida, são comprovadamente eficazes, mas e as consequencias disso? Ou melhor é limpar as cidades (o que inclui seus subterrâneos)? Mas é mais caro e difícil, certo? Normalmente, escolhe-se o “fácil” e deixa-se a consequencia para quem vem depois.
4 – “Postura extremista contra a censura”: não acho que o “mercado” seja tão absurdamente eficiente em se auto-regular. Mas penso que o governo é ainda menos. Entre os dois, escolho outra opção: as pessoas escolhem o que querem ou não assistir. Se o BBB é um lixo, ele só está na 10ª edição porque um monte de gente assiste aquilo. Se Datena gosta de sangue, ele só está no ar porque tem gente que também gosta. Havia um jornal antigamente – Notícias Populares – que mostrava as duas coisas: sangue e mulher pelada. Literalmente: imagens de acidentes de dar nó na boca do estômago e mulheres literalmente nuas. Era motivo de piada, mas vendia. Censure a TV e o próximo passo será censurar a internet. Depois, as manifestações públicas. Aì já estaremos vivendo na Venezuela ou na China.
O próximo passo é censurar o pensamento.




Uma dura na ditadura

26 01 2010

No texto Uma censura à censura, disse que o assunto havia surgido de uma conversa com um tio e que havia dois desdobramentos: censura e ditadura. Hoje falarei da ditadura.

Meu tio defendia a ditadura com um argumento simples: segurança. Ele – que havia sido carcereiro no Carandiru – disse que decidiu se aposentar quando o pessoal dos Direitos Humanos forçou a barra para colocarem um “tapetinho” para os presidiários pisarem durante as revistas, alegando que o chão frio faria mal a eles. Para ele, foi a gota d’água.

Na hora me lembrei do Suplicy indo defender os sequestradores do Abílio Diniz, em 1989. Eu tinha 10 anos, mas lembro da cena na frente do cativeiro. Acho que há uma extrapolação da violência nas cadeias, violência policial e tudo mais? Sem dúvida! Mas daí a trocar os colchões queimados a cada rebelião, ao invés de instalar bombas de sucção contra enchente, é demais. Acho que preso tem que trabalhar para pagar a “estadia”. Vida mansa, ja chega a dos políticos que viajam às nossas custas com suas modelos a tiracolo, mas volto ao ponto.

A defesa dele acerca da ditadura me assustou, mas parei pra pensar: por quê? E todo o argumento dele, na verdade, girava em torno da segurança. Logo pensei, então, que a questão não é a ditadura, mas a impressão de segurança que vem com a ditadura. Mas daí lembrei da sensação de segurança que tive ao andar pelas cidades (algumas) na Europa. Não faz sentido associar ditadura (de esquerda ou direita, whatever) a segurança. Faz sentido associar educação à segurança. Faz sentido associar crescimento econômico à segurança. Nesses casos, a segurança seria obtida por dois fatores: um povo com um nível de conhecimento cultural superior tenderá a entender melhor o outro e a respeitá-lo; ao mesmo tempo, o aumento da renda individual proporcionada pelo crescimento econômico reduziria a quantidade de necessitados cometendo crimes.

No outro extremo, falando das ditaduras de esquerda, ontem mesmo morreu um estudante na Venezuela de Chavez. O banho de sangue parece apenas ter começado: já se inicia um movimento de revolta no país pelas camadas populares, mas essa história ainda não tem fim. Falemos da ditadura russa, cubana e chinesa, com seus centenas de milhares de mortos. Não me parece que uma ditadura dessa possa falar de segurança. Tampouco o falará a ditadura militar chilena, com seus milhares. Em outras palavras: a ditadura bota terror e cria uma falsa sensação de segurança (ao mesmo tempo que cria uma situação de insegurança pessoal terrível, certo?)

Em parte, é verdade, porém, que crescimento econômico reduz a violência. Mas tem um outro fator: inteligência. Sim, inteligência no combate à criminalidade. No caso do Abílio Diniz, havia 2 canadeneses de classe média alta no meio. A menina que concebeu o plano de morte dos pais, Suzanne von Richtoffen, era rica. E o rapaz que matou a namorada em Santo André era pobre, mas não foi isso que motivou o crime, certo? O que quero dizer: quem porta arma nos morros cariocas não são os trabalhadores mais pobres, mas uma máfia bem remunerada. É preciso dinheiro para comprar uma AR-15, não? E é preciso inteligencia militar, vigilância das fronteiras (não existe isso no Brasil hoje), treinamento das polícias, uso de sistemas de informação (alguns até mesmo bem baratos hoje em dia).

No fim, não é a ditadura quem coibe o crime, é o crime que tem que ser tirado dos corações e mentes. E isso não é trabalho (só) da polícia, é das escolas… e dos pais.





Uma censura à Censura

21 01 2010

No final de semana passado, discutia com um tio sobre o famigerado PNDH3 e sua questão midiatica, a censura aos meios de comunicação lá presentes. A conversa gerou dois assuntos, que tratarei em posts separados: ditadura e censura.

Creio que por não entender exatamente a profundidade do que lá se encontra, ele defendia a censura. Seu argumento é conhecido pelos mais velhos: hoje em dia só passa violência na TV. Não concordo totalmente que seja verdade, mas confesso que ao ver certas Malhações, Fazendas e BBBs, dá uma pontinha de simpatia pela censura, mas logo passa. =P

Meu ponto para ele é: um pouco de censura é censura demais. Hoje eu sempre tenho a possibilidade de mudar de canal. E se nada me agradar, desligo a TV e vou ouvir música, ler um livro. Mas a parte bela é justamente essa: eu sou livre pra escolher. Essa liberdade, em tempos de censura, não existe. Não?!? NÃO!!!

Posso não gostar de tudo que passa na TV, rádio, jornal, mas não posso reclamar da possibilidade de escolher o que ver. Num ambiente de censura ainda podemos desligar a TV, mudar o canal, mas – efetivamente – não escolhemos o que ver: ‘eles’ escolhem por nós. Bonzinhos, não? Mas pense um pouco: eles quem??? O governo, oras. Ou qq outro nome bonito para isso.

Agora imagine: se um Arruda fosse esse governo, nunca teríamos lido sobre o escândalo dos panetones. Se fosse o Azeredo, nunca saberiamos do Mensalao mineiro. E se for a Dilma? Mensalao, dólares na cueca, falsos dossiês contra adversários, apagão e outros bichos nunca serão de nosso conhecimento.
Há quem diga que a ignorância – o ato de ignorar, não saber algo – é uma benção.
Você acha?





Aborto, suicídio e prostituição

18 01 2010

Sei que vou criar algumas animosidades com esse texto e talvez perca alguns seguidores, mas tudo bem. Isso é o resultado da tal “liberdade de expressão”, da qual falarei em outro texto, em outro momento.

Um bebê ou um feto? Tem direitos ou é só... uma coisa?

A questão do Haiti, a despeito da enorme necessidade daquele povo, foi um alívio para a ala mais radical do atual governo. O controverso lançamento do PNDH3 pela Sec. dos Direitos Humanos – com aval da Min. da Casa Civil, Dilma Roussef, e  assinatura do Pres. Luis Inácio – criou uma situação bastante incômoda para a ministra em pleno ano eleitoral. Bem, há ao menos  4 pontos bastante problemáticos – controle de mídias (leia “censura”); fim da propriedade privada (leia “comunismo”); a tal “Comissão da Verdade”, sobre uma revisitação ao período da tortura militar, mas deixando de lado o terrorismo de certos grupos armados de esquerda; e a questão do aborto, que tratarei nesse post.

Há uma variedade de questões que desembocam nesse tema:  cultural, social, religioso, saúde pública, biologia, direito sobre o próprio corpo, economia e uma série de outros aspectos. Não vou tratar de todos. É clara minha posição religiosa, cultural e social, por exemplo. Mas o ponto hoje é outro: direitos, já que a questão foi levantada pelo Plano Nacional de Direitos Humanos.

O principal argumento – no campo dos direitos humanos – que se faz é o fato de a mulher ter direito sobre o próprio corpo. Tem razão de ser? Sem dúvida! Mas a questão – por uma razão biológica, principalmente – não é tão simples. O primeiro argumento que ataca essa questão é justamente o paradoxo em si mesmo que esse argumento possui: se a mulher tem direito sobre o próprio corpo, teria o feto o mesmo direito? E essa briga vai longe: ninguém consegue precisar onde começa a vida de fato e, portanto, a partir de que ponto esse bebê teria “direitos”. Assume-se, então, para alguns, que o feto é “parte” do corpo da mulher. Ou então não é nada. Eu disse que não entrarei nos aspectos morais, religiosos, éticos, culturais ou sociais, então ficarei no ponto dos direitos.

Há, então, alguns desdobramentos do mesmo argumento que gostaria de tratar aqui, sem entrar no direito do feto, tão controverso. Há uma questão pouco abordada, que é o direito do homem. Exatamente, do homem! Nenhuma mulher consegue fazer um filho sozinha. Mesmo para a proveta, é necessário um homem, ainda que anônimo. Se uma mulher, então, por ter um feto dentro de si poderia ter direito sobre ele, que se dirá do homem que participou da concepção? Eu sei que o tema parece ridículo, mas é real: por que a mulher tem direito sobre o bebê e o homem não? Gostaria de ouvir o que pensam sobre esse aspecto e, se possível, a opinião de juristas sobre o assunto.

“Mas eu posso tirar o feto do meu corpo se eu quiser”, dirão alguns (ou algumas). Sem dúvida! Concordo com isso. E também concordo que se faça isso sem danificar ou matar o bebê. Tem como? Não sei. Eu não vou entrar no aspecto religioso e civil para saber quando a vida começa, mas se alguém tem dentro de si algo que pertence a outra pessoa também, há que se levar em conta essa outra pessoa, não?

Muita polêmica até agora, mas meu ponto ainda é outro. Fossem todos os pontos anteriores resolvidos, sobre uma questão de igualdade. Se a mulher tem direito sobre o próprio corpo – a ponto de decidir realizar um aborto, não poderia também decidir cometer um suicídio assistido num hospital? E quanto à prostituição, crime no Brasil, não deveria então ser uma questão de “direito sobre o próprio corpo”? E nem vou entrar no aspecto das drogas, já que esses podem ter efeitos sobre o corpo de outras pessoas, mas a questão não é mais ampla do que faz parecer a questão do aborto? E, se a mulher tem esse direito, por que não os homens também? E não me venham com o papo de “Na Holanda isso e aquilo…”, pois vivemos no Brasil, outro país, outra cultura, outro esquema.

Tenho outros argumentos ainda, mas gostaria de ouvir a opinião de vocês antes de falar algo mais. Que pensam sobre o assunto?



Imagem do blog A Romancista





MST Online

7 01 2010

Do amigo @lnishimori

Nem no Farmville...





Paradoxo Internacional: Quem é o Brasil? II

3 01 2010

Brasil, mostra a tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim!
Cazuza


Antes de mais nada, preciso explicar o que é este post. Ele é uma resposta ao desafio do João Victor Guedes em seu blog Uai, jovem! (cuja leitura recomendo). O Victor postou um texto chamado Paradoxo Internacional: quem é o Brasil? e lançou o desafio para que eu responda. Na verdade, creio que isso se tornará uma “discussão bloguística”, muito saudável e interessante, a meu ver.

Vamos lá, recomendo a leitura do texto do Victor antes de continuar a leitura aqui. Vai lá… eu espero


Ok, então vamos lá. O Victor abordou a questão do brasileiro e sua imagem lá fora. Não tive muitas oportunidades no exterior – ainda. O máximo que fiz foi uma mochilada desastrada pela Europa. E já foi muito bom mesmo para mim. Aprendi coisas em 3 semanas que demorei 30 anos para entender. E me apaixonei pelo Velho Mundo. Mas ok, já estou ficando nostálgico aqui.

Minha intenção é abordar a questão da imagem institucional do Brasil (apesar de entender que – individualmente – a imagem do brasileiro é mais relevante que isso). Mas vou deixar essa questão para outro momento e chamar algumas pessoas muito queridas que estão vivendo fora para darem sua posição quanto ao tema (vixi, mais alguns blogs na brincadeira): Jorge Trimboli, argentino-brasileiro vivendo nos EUA; Tiago Luchini, amigo do peito e irmão camarada, vivendo com a família na Finlândia; Lucilene Pavão, prima vivendo na Inglaterra há 6 anos; e Fernanda Seloti, minha mana caçula que está trabalhando nos EUA. Darei a eles a palavra para responderem – aqui ou em seus próprios blogs.

Continuamos a discussão a partir desse ponto, tão logo eles tenham dado alguma posição, fechado? Vamos ver se a experiência funciona.





Uma igualdade diferente

22 12 2009

Muito se fala sobre igualdade, sobre sermos todos iguais e blá blá blá. Concordo? Em partes. Concordo que somos – ou deveríamos ser – todos iguais perante a lei, perante o Estado, perante a sociedade, como partes dela. Mas discordo quanto a essas idéias tolas de tratar os diferentes como iguais. O que quero dizer com isso? Leia com calma, pois o assunto é por demais espinhoso.

Começo com um exemplo simples, um portador de necessidades especiais que necessita de uma cadeira de rodas para sua locomoção. Somos iguais? Não! Eu posso descer as escadas do metrô, subir num ônibus, atravessar ruas.

Por Fábio Motta/AE

Ele precisa de adaptações: calçadas rebaixadas, elevadores nos metrôs. Isso me torna melhor que ele? Não! Apenas nos faz diferentes. Diferentes em como agimos, mas iguais como cidadãos. E é justamente essa igualdade que torna forçoso que o Estado rebaixe calçadas e monte elevadores: porque tanto eu quanto eles temos o mesmo direito de ir e vir, apesar de nossas diferenças. E é justo que seja assim. Justo por duas razões aparentemente conflitantes: porque somos diferentes entre nós, mas porque somos iguais perante a lei. Dessa forma, o mesmo direito que tenho eu de andar na rua, tem ele. E assim como eu exigiria que o Estado consertasse um buraco na calçada que me impede de trafegar por ela, ele tem o dever de exigir que faça guias rebaixadas para sua locomoção. Simples e cristalino.

E qual a diferença com alguns discursos que andam por aí, mais rasos que um pires? A diferença está justamente na constatação da… diferença! Não é uma igualdade cega, mas justamente a diferença que nos torna iguais. Se ignoramos as diferenças, cometemos alguns erros, pecados fatais. Ignorar a diferença entre a minha forma de locomoção e a de um cadeirante é o que faz as calçadas altas e as escadas para os metrôs. Constatar a diferença nos leva a tratamentos diferentes para pessoas diferentes, mas sempre movidos para atingir um fim comum: a igualdade perante a lei. É a constatação da diferença de condição física que criou os bancos especiais para idosos. E foi a constatação de diferenças físicas que criou a cota para negros nas faculdades? Não! Aliás, NÃO! Um retumbante não! A diferença física da cor da pele não torna alguém de fato diferente como indivíduo, que os digam os amarelos, por exemplo.  Esse papo de “dívida histórica” é desculpa de gente preguiçosa. Uma cota para estudantes de escolas públicas – a despeito de sua cor – faz muito mais sentido, pois aí há diferença: no nível de ensino que os governos proporcionam e que a iniciativa privada proporciona. Essa é uma diferença real a ser tratada. Isso é igualdade de fato: tratar as diferenças para promover igualdade, não criar diferenças para gerar desigualdades.

Mas há um discurso raso, vestido de bom moço, que anda por aí a contar moçoilas desavisadas. O tal bom mocismo já está montando um harém. Que medo!





La Revolución

21 12 2009

A verdadeira revolução é silenciosa. É a revolução do espírito.


Sou um revolucionário. Me considero um. Não como os bons e velhos revolucionários – certamente mais velhos do que bons -, mas um revolucionário de espírito, mais do que de “ação”. Acredito na revolução pelas armas como forma de mudar algo, mas não acredito que a revolução pelas armas mude algo de fato. Como diria o escritor político italiano Tomasi de Lampedusa, “é preciso que tudo mude para que se mantenha como está”. Para quem já leu Maquiavel, o injustiçado e também italiano, é fácil compreender isso: Derrubar um governo por armas é mais fácil. Mantê-lo é mais difícil. Acho os velhos – e não tão bons – revolucionários um tanto míticos demais, bonzinhos demais, falsos demais. A

Personagem ou mito? Depende para quem pergunta

coisa me cheira muito mais a disputa de poder do que revolução. A verdadeira revolução é silenciosa. É a revolução do espírito.

Tenho uma terrível tendência a não me conformar, a não aceitar as coisas facilmente: sejam pensamentos, moldes ou padrões. Tendo a questionar e realmente acho isso uma virtude. O questionamento refina e fortalece as boas idéias. Ele consolida a fé. Mas para as idéias frouxas, o questionamento é letal: ele as expõem em sua vergonha e falta de profundidade, diferencia os papagaios dos pensadores, daqueles que se debruçam a esmiuçar uma idéia, um conceito até, ao final, descobri-lo apto a sobreviver ou apenas a repetir mantras pré-fabricados por outros papagaios. E é por isso que me considero revolucionário: ninguém gosta de questionamentos. Ou quase ninguém. Mas é justamente o questionamento, o confronto de idéias que separa uns de outros. Joio e trigo.

E o que tem a revolução na história? Bem, a revolução em que acredito é a silenciosa, que muda o espírito, a forma de viver. Não é um ou outro governo quem o fará, é o indivíduo. Esperar que um governo faça tudo não me parece sensato, me parece cômodo. E não é o comodismo que move o mundo, mas o incômodo, a necessidade humana de não ficar parada. A escada existe por conta do incômodo das escaladas em pedras. Os livros, pelo incômodo custo das aulas oratórias. A televisão pelo incômodo de pegar o carro e ir ao cinema. A pipoca do cinema… bem, isso é um incômodo inexplicavelmente agradável. Não para quem está ao lado.

O inconformismo nos leva a buscar novas maneiras de fazer algo de forma melhor, mais rápida, mais barata. Esperar que outro o faça – seja o governo, seja seu pai – é traçar um objetivo, levantar velas e deixa-las seguir ao sabor do vento, esperando que este te leve onde quer chegar. Nem Cabral acreditava nisso: é preciso agir!

Qualquer revolucionário que não questione a si mesmo antes de tudo, para mim, é só massa.

E massa serve para ser amassada e cozida… e comida! As massas são o alimento dos tiranos.





Sobre panetones e cuecas

18 12 2009

Por Renato Andrade, jornal A Cidade

Fonte: A Cidade, de Ribeirão Preto







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