Opinião e Religião


Recebi comunicação da Missão Portas Abertas hoje que me preocupou muito, não pelos motivos citados, mas fui um pouco além deles. No site da organização, há a notícia que o Senado Federal votará, amanhã, lei que criminaliza “afirmar que homossexualismo é pecado”.

A matéria gera polêmica desde a sua criação, em 2006. Em episódio recente, o sen. Marcelo Crivella fez uma defesa inteligente contra a aprovação da proposta. Orgãos de defesa dos homossexuais formam o outro lado da discussão. A Associação da Parada do Orgulho GLBT de SP divulgou nota interessante, que vale a pena ser lida.

Não quero, nem pretendo, ser o dono da verdade aqui. Apenas pretendo expressar a minha opinião (enquanto posso). Também não quero receber a pecha de preconceituoso (viu, dr. Alves =P ). Por isso tentarei ser o mais claro possível no que penso a respeito. Tomei o cuidado de pesquisar bem o tema antes deste post, principalmente por se tratar de um tema polêmico e, quem sabe em breve, venha a ser crime postar o que estou escrevendo (aff).

Então, vamos lá. Sobre o tema da notícia (que não é o tema principal do meu post), tenho uma postura clara: sou cristão e tenho por moral própria que homossexualismo é pecado. Falo de mim, de minha cabeça. Também, como cristão, considero adulterar um pecado. E mentir também. Não quero comparar as três coisas (e poderia citar tantas outras). Quero apenas elucidar que, para mim, é tão pecador quem pratica o primeiro, o segundo ou o terceiro pecados. De forma que, se não viro a cara para meu amigo que mente, tampouco para outra que trai marido ou namorado, não o farei com amigos homossexuais (sim, tenho alguns, e gosto deles). E assim como não espero que meus amigos homossexuais virem a cara para mim por eu acreditar e tentar seguir ao Deus cristão (usei o termo aqui para evitar problemas com outras linhas religiosas). O que quero dizer? Que posso não concordar com isso ou aquilo que as pessoas façam, mas enquanto isso não fere meus direitos, concordar ou não concordar será um problema exclusivamente meu. E vale o mesmo para os demais: se gostam ou não do que faço, enquanto isso não fere seus direitos, é problema de cada um.

Mas é aqui que entra o ponto que considero crítico: e quanto ao meu direito de liberdade religiosa e, principalmente, meu direito de ter e expressar opiniões? Se minha liberdade religiosa é agredida por uma lei ordinária, ou se meu direito de pensar e me expressar é cerceado, é momento de levantar minha voz. Não quero uma ditadura de direita no Brasil, como tivemos com os militares. Menos ainda a quero de esquerda, onde não posso sequer escolher jogar baseball em outro país sem ter que fugir para isso. Quero um pouco de sensatez. Quero poder discordar de suas idéias sem ser preso por isso. E quero que discorde das minhas, sabendo que nada de ruim lhe acontecerá. Mas quero tudo isso com respeito ao ser humano, que é mais que homem ou mulher (seja hetero ou homossexual). Respeito ao ser humano não quer dizer concordar com tudo e com todos (meu pai costuma me dizer que a unanimidade é burra). Respeito ao ser humano tem a ver com não fazer aos outros o que não quer que façam a você (e também é um princípio bíblico cristão). Eu quero que discordem de mim (e isso é verdade, gosto de uma boa – e inteligente – discussão). E quero que não gostem do que penso. E quero que me respeitem, a despeito de minhas idéias e ideologias, a despeito de minha crença religiosa. Tolerância religiosa não significa concordância de ideologias, mas respeito. De minha parte, é o que farei: discordarei da atitude de alguns, não gostarei da forma como pensam, mas os respeitarei como pessoas, como indivíduos. E isso não tem a ver com cor, sexo, escolha sexual ou religião. Tem a ver com pessoas.

Na sessão Palavra e Pensamento deste blog, há uma frase de Voltaire, filósofo iluminista, que resume bem o que penso sobre o assunto:

“Posso não concordar com uma palavra que dizes, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las”

Curioso notar: Voltaire foi conhecido por criticar a intolerância religiosa. Estranhamente, essa intolerância hoje se volta contra a própria religião cristã. E assim caminha a humanidade.

Links relevantes:

http://www.portasabertas.org.br/

http://www.portasabertas.org.br/noticias/noticia.asp?ID=3960

http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Pronunciamento/detTexto.asp?t=367015

http://www.scribd.com/doc_view3/210775/Projeto-1222006-Homofobia-ou-Heterofobia-Parte-2-?use_google_view=1

http://liberdadedeexpressao.multiply.com/journal/item/63

http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=10468

http://www.paradasp.org.br/modules/news/article.php?storyid=265

http://www.senado.gov.br/MarceloCrivella/direitodeopiniao.htm

Anúncios

12 comentários sobre “Opinião e Religião

  1. Pingback: Sergio Luis via Rec6

  2. então que você quer uma “realidade paralela”. Escreva um livro!, onde ela possa ser real para vc.

  3. ***
    A propósito, no outro comentário, não é apenas conformismo como você disse, é a aceitação daquilo que não irá mudar, por mais que possa ser maquiado. O ser humano em si é mau. (e pelo que eu acredito só será perfeito quando Cristo voltar) Isso não quer dizer que eu não “tente” fazer a minha parte para o “eu” estar sempre buscando excelência e para o meu redor ser beneficiado com isso.
    ***
    Você diz, eu quero, eu quero! Tanta gente boa quer fazer e busca coisas boas, mas a lei humana sempre foi e será sempre corrompida de alguma forma.
    Pastores não querem realizar casamentos homossexuais, pois isso iria direto contra seus princípios, mas (ao que me parece) foi votada uma lei que obrigará qualquer entidade religiosa a realizar a cerimônia, o que devem fazer quanto a isso?
    Acredito que os que realmente têm fé naquilo que pregam irão presos antes de realizar uma cerimônia.

    Vivemos num pais que se diz capitalista e que toda e qualquer pessoa tem direito de se expressar, certo? Certo, mas é só maquiagem mesmo que esteja bem sutil por enquanto. Veja o cinema, por exemplo, eles têm por obrigação “taxar” filme com etiquetas – vermelhas, pretas, amarelas, etc – para respectivas idades. Num lugar onde cada têm liberdade de escolha não deveria ser dos pais, respectivos responsáveis por menores de idade, a decisão de qual filme o adolescente ou criança pode ou não assistir? (Apesar de eu como adolescente e menor de idade, acreditar que já possa tomar minhas próprias decisões).

    Toda lei tem restrições, regras de conduta. Eu disse TODA, isso inclui a Bíblia. Mas a lei humana é falha e corrupta, isso pode até ser “aceitável” se pensar que não sabemos (nós humanos) o que fazemos. A única lei perfeita, onde as restrições são apenas e exclusivamente para o nosso próprio bem, pois o ser humano em sua deficiência (pecado) não sabe o que realmente é o melhor pra si, nem o que seus atos acarretariam no porvir. Mesmo que até “ache” que saiba o que é o melhor, não há como prever o futuro.

    Por outro lado, usando o tal “conformismo” que você citou, a lei, a realidade, a política, os roubos e assassinatos, a opressão, pra mim, é tudo pecado igual como pequei quando deixei que minha raiva se tornasse ódio algumas vezes. Então, nada disso importa, o que importa é o que eu acredito e o que eu faço pra manter meus princípios vivos dentro de mim, e como eu os uso para “amar ao próximo”, fazer o bem e servir a Deus, testemunhando.
    Por isso disse “Escreva um livro”, porque pra mim, realidade é aquilo que eu acredito, indiferente do que me é imposto.

    Resumindo, não to nem ai para o que acontece no mundo, eu sei que ele vai acabar, e não posso mudá-lo. Mas faço o que posso para amenizar o “sofrimento” dos que vivem nele, inclusive eu.

  4. Continuo achando uma posição conformista… hehehehee…

    O que é essa realidade que não pode ser mudada? Aliás, o que é a realidade? Ou talvez a realidade não seja apenas a forma como eu a vejo?
    Filosófico demais… vou parar com isso
    hehehehe

    Sobre a lei de casamentos, creio que essa lei não exista, visto que nem mesmo existe a lei sobre união civil (que deveria vir antes)

    Anyway, uma lei desse tipo iria contra a lei que preserva direito de liberdade religiosa e, principalmente, seria interferencia do Estado na Igreja, algo impensável para um Estado dito “laico” e que defende, justamente, a separação entre Igreja e Estado.

    A propósito, as leis de um país devem expressar a vontade dos cidadãos daquele país. E não creio que os 90% dos brasileiros auto-denominado cristãos (das diferentes linhagens) queiram uma lei que torne ilegal a própria fé.

  5. “Realidade é apenas a forma como eu a vejo”, concordo plenamente!
    E discordo, com a mesma intensidade, de sua opinião sobre conformismo.

    Agora, estado e igreja não terem ligação? Isso é um absurdo, por mais que estado defenda essa posição é fato que igreja sempre influenciou, isso quando ela não “estava no comando”.
    E o estado, na minha opinião, é dependente da igreja.

    Você diz: “As leis de um país devem expressar a vontade dos cidadãos daquele país”, certo, elas devem ser assim, mas são? A resposta é obvia não é? (nesse caso estou me referindo apenas ao Brasil e não exclusivamente sobre religião). Desde miúda eu aprendi que nem tudo que agente quer pode ter. E você acredita que cem por cento desses que se denominam cristãos manteriam sua fé se tal lei viesse a existir? Eu não acredito!

    Abraço
    Lay

  6. Assina o abaixo-assinado que tá no site da Vinacc (é em papel mesmo, não on line).

  7. A separação da Igreja e do Estado é um dos marcos do Estado moderno. Influencia, é óbvio que existe. Assim como existe influência de culturas européias e africanas em nossa cultura nacional. A questão é a separação de decisões, que antes eram determinadas um pelo outro: a revolução Anglicana, por exemplo, foi em função disso.

    Sobre as leis, sim, penso que expressam a vontade do povo. Talvez não as vontades de hoje, mas em determinado momento, eram legítimas. Por exemplo, o povo há tempos quis os vários “benefícios” à classe trabalhadora que hoje são um dos entraves ao crescimento das empresas, pois dificultam contratação de M.O. Mas em dado momento, eram os anseios do povo. Outra coisa, a vontade do povo não significa as melhores coisas para ele mesmo, mas apenas aquilo que eles querem. Exemplifico: uma criança começando a engatinhar quer colocar o dedo na tomada, mas… isso é o melhor para ela? Por mais que ela chore, sabemos que não é. Ocorre o mesmo com a criança que não quer ir para a escola. Com o homem que não quer perguntar para algum transeunte onde fica a rua tal.

  8. Por essas e outras, não acredito em democracia presidencialista, principalmente no Brasil… e isso pode virar um post em breve, mas um dos problemas é que a democracia, chamada de governo do povo, é exercido por um pequeno grupo que, uma vez eleito, não tem compromisso algum com os ideais que defendeu antes da eleição. Mas a principal razão é que o governo das maiorias deveria aniquilar as maiorias se as vontades da maioria fossem cumpridas. E isso, para mim, é um paradoxo dos direitos civis.

    Outra hora, falo mais sobre isso…

  9. blah blah blah
    vc não se cansa de discutir? hahahahaha

    poderia ter deixado meu comentario ali, sem resposta, minha a última palavra.. hahahahahahha

    mas eu desisto 2×0 pra vc

    E Homens são mesmo um tanto bocós né? rs
    Mas tem mulheres que se recusam a perguntar, também, onde é o lugar e preferem ficar rodando que nem tonto.

    Eu sei, eu sei que não é essa a questão… mas eu ja disse, vc venceu! não vou mais responder aqui! hahahahaha

  10. A maioria dos homens não consegue admitir que está perdido… that’s life

Comente aqui

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s