Na… o quê?


Mensagens de Natal geralmente são de dois tipos: ou aquelas coisinhas do tipo “sejamos bonzinhos” ou “o Natal não é isso”. Essa é do segundo tipo, apenas mais uma daquelas chatas “o Natal não é isso”.

Tenho dois amigos (cristãos) que não comemoram o Natal. Talvez tenha outros, mas não o sei. A razão pela qual ambos não comemoram o Natal é uma impossibilidade histórica do nascimento de Jesus no mês de Dezembro (do calendário cristão).

Como um bom crítico e questionador, há outros elementos tradicionais do Natal que passei a questionar, e nem vou falar da árvore enfeitada ou do gordinho de barbas brancas e roupas da Coca-Cola. Me questiono se são realmente 3 magos, se a estrebaria estaria vazia, quem teria cortado o cordão umbilical de Jesus, o que teria sido feito com os presentes (incenso, mirra e ouro).  Mas, acima de tudo, me pergunto se isso importa. Importa mesmo saber quantos foram os reis? O ano ou o dia exato? Se Jesus chorou ou não? Não importa!

Importa saber que ele nasceu… e viveu… e morreu! E importa saber que ele nasceu como eu e você, saindo do útero de uma mulher. E deve ter gritado e chorado quando saiu, cheio de sangue. Será que foi José quem fez o parto? Acho que não. Como qualquer homem, deve ter ficado apavorado e buscado ajuda. Talvez algumas mulheres da região tenham vindo acudir a gestante Maria. Talvez José tenha segurado sua mão. Talvez não. Talvez tenha apenas ficado lá fora, esperando ansioso. Imagino uma das parteiras saindo com o guri nos braços e dizendo que é um menino! E imagino José pulando e gritando, e anunciando alto que lhe nascera um varão! E depois deve ter chegado um monte de gente: pastores e reis, o rico e o plebeu, ambos à porta daquela estrebaria. Penso que foram vários reis, uma caravana que atravessou o deserto para conhecer aquele a quem a estrela anunciava. Reis e seus servos. E também alguns pastores, talvez com suas esposas, pois são as mulheres quem gostam de ver recém nascidos. E acho que, no meio da balbúrida e da falação, uma das parteiras pediu que falassem mais baixo, pois Maria precisava descansar e o pequeno Yoshua iria dormir.

Importa saber que ele viveu. E deve ter jogado futebol com os amiguinhos em Nazaré (ou uma versão pré-histórica do famoso esporte). Talvez Yoshua preferisse brincar de polícia e ladrão, ou alguma versão de Judeu x Samaritano, muito popular entre os meninos na época. Talvez ele tenha caído e ralado o joelho em uma dessas brincadeiras. E talvez um dos meninos do colégio tivesse lhe roubado o lanche, não sei. Importa saber que ele deve ter sido educado por bons rabinos, deve ter ouvido boas histórias. Que ele ficava observando José trabalhar a madeira. Acredito que ele pedia ao pai para ir junto pro trabalho. E talvez o menino fosse mesmo bom, deixando seu pai orgulhoso. Por que não?

E importa saber que ele morreu… e morreu como homem. Provavelmente eu e você morramos um dia. Mas ele não apenas morreu, mas ele sofreu. E muitos sofrem para morrer. E é aqui a diferença… ele não morreu como muitos, mas morreu por muitos, e carregou em seus ombros o pecado de muitos… e morreu!

Mas hoje, no Natal, não é da morte dele que lembramos, mas da vida. E é o que eu queria deixar pra vocês hoje: muito mais do que o panetone, que o bom velhinho, a árvore, os reis, os pastores e os símbolos, muito mais que tudo isso, é importante saber que um homem andou nesta terra, na mesma terra que eu e você andamos. E ele viveu por mim e por você. Viveu para nos mostrar que é possível viver. Viveu para declarar, com sua vida, que há um Deus que se importa.

E se importa tanto, que desceu de sua glória e andou nu – nu de seu poder – entre nós. E tocou nossos rostos. E limpou nossos pés. E sujou-se no mesmo pó que eu me sujo hoje. E fez tudo isso para me mostrar que por mais que eu suje meus pés na terra, posso – e devo – voltar para casa e lavá-los.

…nem que seja para pedir que ele lave por nós

Muito mais que um Feliz Natal, desejo a vocês todos um Feliz Nascimento! Ou um Feliz Novo Nascimento!

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2 comentários sobre “Na… o quê?

  1. Que maravilha, que mente maravilhosa , parabens meu Brother pela crônica.

  2. Valeu, Vantuilo! Seja bem vindo ao blog!

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