In Memorian


Não sou um dos cultuadores da morte, daqueles que acham que uma morte deva ser comemorada ou exaltada. Longe disso… não suporto enterros. Seria óbvio dizer que são deprimentes, mas – ao menos para mim – não representam muito. Aprendi que o que posso fazer por algo, devo fazê-lo em vida.

Esse post, porém, não é um tributo, mas uma tristeza. Uma tristeza não por alguém que eu tenha conhecido pessoalmente, mas por alguém que eu aprendi a apreciar através de seus livros, suas histórias, suas idéias e que não poderei mais partilhar as novas idéias. Meu autor predileto, Michael Crichton deixará saudades. Para mim, infelizmente, mais pelas palavras saídas da pena do escritor do que pela pessoa, que nunca conheci. Mas, ainda assim, ficará aquele pequeno vazio de não mais esperar, ano após ano, pela nova e sempre surpreendente história que a mente desse gênio que a medicina perdeu para a literatura (thanks God!). A leitura de cada uma de suas histórias, posso dizer por mim, me tornou alguém diferente. Não direi melhor, pois entendo a vida como um processo, mas certamente suas leituras me marcaram. Jurassic Park, o primeiro de seus livros que li, me despertou o interesse pela – ainda desconhecida para mim – Teoria do Caos. Eu tinha meus 18 anos na época e estava decidindo qual curso de graduação iria cursar. Após ler as explicações de Ian Malcom sobre a imprevisibilidade dos sistemas complexos, decidi cursar Economia e dissertar sobre a aplicação da Teoria do Caos sobre a Economia. Por outras razões, migrei para Administração. Outro ponto que me faz lembrar foi a leitura de Presa, um conto envolvendo nanotecnologia e inteligência artificial. Na mesma época, li O Homem Terminal, também sobre I.A., mas agora sob um ponto de vista biológico. A idéia de se construir sistemas capazes de tomar decisões me fascinou e passei a estudar o assunto. Cheguei a apresentar, na época, um projeto ao meu superintendente de tecnologia sobre a criação de um modelo de agentes inteligentes capazes de analisar perfis de segurados. Ele gostou da idéia, mas eu saí da empresa pouco depois. Congo, O Grande Roubo do Trem, Linha do Tempo, Um Caso de Necessidade, Next, Estado do Medo e tantos outros que me proporcionaram horas de diversão e, mais valioso, a possibilidade de pensar e sonhar e acreditar. E isso não tem preço.

A luta contra o câncer na garganta levou-o de súbito, aos 66 anos, na última terça-feira. Disse que Crichton deixará saudades mais pelas suas palavras do que por quem ele foi. Corrijo: considerado o pai do tecnotriller, ele deixa um legado que não será esquecido. A saudade de verdade ficará com aqueles que tiveram a honra de conhecê-lo e conviver com ele: esposa, filhos, amigos. A mim, continuará em minha prateleira como um gênio, vivo ou morto.

 

“Nao louve o dia ate que venha a noite; a mulher ate que elaseja queimada; uma espada ate que seja testada; uma donzela ate que tenha casado; o gelo ate que tenha sido transposto; a cerveja ate que tenha sido bebida”
Provérbio Viking, citado por M. Crichton em Devoradores de Mortos


“Life will find a way”
Michael Crichton em Jurassic Park

In Memorian
Michael Crichton
†23-10-1942
††04-11-2008

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