De cara lavada


hoje me desfiz dos meus bens
vendi o sofá cujo tecido desenhei
e a mesa de jantar onde fizemos planos

o quadro que fica atrás do bar
rifei junto com algumas quinquilharias
da época em que nos juntamos

a tevê e o aparelho de som
foram adquiridos pela vizinha
testemunha do quanto erramos

a cama doei para um asilo
sem olhar pra trás e lembrar
do que ali inventamos

aquele cinzeiro de cobre
foi de brinde com os cristais
e as plantas que não regamos

coube tudo num caminhão de mudança
até a dor que não soubemos curar
mas que um dia vamos

– Martha Medeiros

Créditos: Poetriz

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3 comentários sobre “De cara lavada

  1. Muito, muito bom…
    Infelizmente, é mais difícil se livrar de memórias que de bens…

  2. De bens, fácil, dificil livrar-se de memórias…..

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