Diário de Viagem 2009 – Innamorato


Pio bella Roma! In amore per Italia!

A história, como todo bom romance italiano, nao começa assim. Após tantos contratempos ontem, finalmente cheguei ao albergue. Minha noite terminou com uma mensagem de celular mais ou menos assim: “Cheguei bem e já estou no albergue. Absurdamente arrependido” ou algo assim. Eu queria fugir!

Nunca estive em um albergue antes – você sabe: mochileiro de primeira viagem. Por alguma razão, imaginara algo muito mais cool. Ter chegado bem tarde não ajudou muito com a primeira impressão: tem bairro chinês até em Roma e eu estou bem no meio dele. Atravessar um bairro chinês de um país estranho, com pequenos grupos de angolanos falando alto e te olhando no meio da rua as 23:00 com uma mochila e uma mala pesados não é das coisas mais prazerosas do mundo – aliás, onde eu estava com a cabeça quando trouxe tanta coisa pra cá? Estorvo!

Chegar ao albergue, porém, não me tranquilizou. Fui atendido no Popinn por dois portugueses com muito jeito de enrolões (não eram, ao contrário). Cheguei ao quarto e todos já estavam dormindo – ao menos todos os que estavam no quarto. Um rapaz vietnamita disse – em um inglês precário – que eu poderia acender a luz para me acomodar. Lá fora, bêbados de nacionalidades desconhecidas fazem algazarra por toda a noite. Dormi agarrado à minha mochila: achei mais seguro que o locker.

O sono foi leve apesar do cansaço. Acordava com qualquer ruído e as 8 da manhã, finalmente, tomei coragem e levantei: na raiz do lazio, Carpe Diem.

No banho, me arrependi – novamente – profundamente não ter trazido um chinelo – apenas mais um dos sábios conselhos que ignorei. Tive que secar a papete com papel higiênico para não sujar o quarto.

Não tomei o café da manhã no hostel, pois não me recordava se tinha – e tinha. Mas foi outra experiência inesquecível: passei no mercado em frente ao albergue, comprei uma garrafa de suco com ginseng, uma garrafinha de Sprite, um pacote de chocolate e uma porção de frutas cortadas que eles vendem por toda Itália – muito prático, por sinal. Vem tudo cortado e até com garfinho! Com tudo isso na sacola, caminhei até a plataforma dos trens locais, sentei-me num banco de concreto e lá fiz a minha primeira refeição na Itália: um café da manhã na estação de trem.

Pronto para iniciar a jornada, chequei os primeiros pontos da rota do dia e liguei o MP3 com uma música especialmente escolhida para o momento:  Años de Soledad, de Astor Piazzolla. Foi assim que iniciei a aventura de explorar a Cidade Eterna. E, logo na primeira parada, me apaixono.2009-07-08 - Itália - Roma (3)

Cada rua, cada esquina, cada praça parece transpirar história. Olhar aqueles prédios, aquelas esculturas e imaginar que muito do que hoje se entende por “civilização ocidental” foi construído em cada um daqueles espaços é uma experiência que não me arrisco a tentar descrever aqui. Há que se sentir para entender. E cada espaço pode revelar mais do que um mapa pode mostrar.

Dentre as imagens que presenciei nesse primeiro d2009-07-08 - Itália - Roma (28)ia em terras italianas, a Fontana di Trevi merece destaque. Bela e resplandecente no ponto baixo de um vale de ruas estreitas, centenas de pessoas ficavam sentadas apenas admirando a escultura – assim como eu.

2009-07-13 - Itália - Milano (11)Cansado e faminto após quatro horas e meia caminhando sob o sol, parei finalmente para comer. Pizza, claro! Poderia ser diferente?

A tarde, tinha um objetivo claro: conhecer o Coliseu. Um pouco mais descansado, segui direto em sua direção, detendo-me apenas para fotografar mais uma bela praça que encontrei no caminho – mais uma. O sol já não se mostrava tão forte e temi que não chegasse a tempo de ve-lo durante o dia. Apertei o passo e me perdi. O cansaço voltou a bater e comecei a ficar triste. Não precisava, poderia visita-lo tranquilamente no dia seguinte bem cedo, mas me abati. Parei de pensar e simplesmente segui em frente. Dobrei uma esquina a esquerda e subi a ladeira apressado para ve-lo surgir imponente e austero bem na minha frente. Quão inestimável experiência! Por todos os apuros que passei e passaria até o final da viagem – não poucos – aquela visão compensaria cada um deles. E eu sabia disso. Estar ali era um sonho antigo, de anos, que eu realmente não esperava realizar. Só me dei conta disso ali, parado enquanto tentava conter as lágrimas. Por mais piegas que pareça – e estou certo que essa sensação não seria a mesma para todos – meu corpo foi tomado de grande comoção. Penso que a história de todo um império se resume naquele único edifício. Não somente um símbolo, mas um sinal para todos. Uma lembrança da altura de nossos sonhos e e da fragilidade de nossas conquistas.

 

Sim, visivelmente apaixonado pela cidade! Moraria aqui? Provavelmente não. Como toda paixão, Roma é intensa, inebriante, mas a rotina a tornaria apenas uma cidade. Querida e bonita, mas apenas uma cidade. Roma não é eterna apenas por sua história. Roma é eterna por suas lembranças. Pelas lembranças que marcam mente e coração.

Isso a torna indelevelmente eterna.

2009-07-08 - Itália - Roma (136)


Para mais vídeos da viagem, clique aqui.


Uma lembrança: ainda não subi as fotos em um site: são mais de 500 até agora. Assim que subí-las, postarei o link no blog e os devidos albuns em cada post. Aviso vocês.

12 comentários sobre “Diário de Viagem 2009 – Innamorato

  1. Esse post me fez pensar em qtas gramas será que pesa um par de sandálias havaianas?

  2. Quem nao vai pra Roma e nao se apaixona?? Amei de paixao a Italia… quero voltar la e ficar mais tempo!! Lindo país, lindas pessoas, lindos lugares, lindo idioma.. lindo lindo lindo….

  3. Caaara, vou confessar que fiquei emocionada purtroppo!!!
    Tu devi imparare si l`italiano!!
    Se tu vuole posso insegnarti un po di quello che io so!!
    Bacio
    DTB- Dio ti Benedica

    • Guria, eu acho que nunca vou conseguir descrever a sensação que senti. Queria chorar, gritar, pular, olhar. Passei uma tarde inteira sentado… olhando… olhando… olhando…

  4. Rsrsrs Eita eita hein professor… Que papelão, sem chinelos?!?! Ainda bem que sera do Coliseu que mais vai se lembrar quando for embora, não do albergue hushsu…
    Mas enfim, Carpe Diem sempre!!!!!!

    • Eu tinha minha papete. Pensei “ao inves de chinelos + papete, levo só papetes e economizo peso”. Dancei.

      O albergue, e as coisas ruins, vão virar coisas engraçadas em algum tempo. Mas o Coliseu… esse será o ponto alto dessa viagem.

  5. ah, fontana di trevi! sonho conhece-la, junto com o coliseu e a capela sistina!
    belissimo post sérgio, consegui imaginar cada pedacinho dessa sua emocão de estar aí…

    ah, roma! agosto me espera…

    beijo!😀

    • Fontana é linda… outro espaço de contemplação e admiração. Mas o Coliseu, ai, ai… esse é a minha paixão. Toquei sua pedra… olhei para dentro (estava fechado no dia)… vi suas paredes projetadas… sua estrutura… sua ruína… uau!!

  6. Huauhauhahauahua já disse que vc é fresco hoje? Não? Então registro aqui: FRESCO!! Albergue é assim, luz na cara, banheiro comunitário e apertado, gente falando em várias linguas a qualquer hora do dia ou da noite, rsrsrs

    Beijos e enjoy it!!

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