Diário de Viagem 2009 – Última página?


Acabo de chegar no hotel. Encerrei a noite em grande estilo, ao menos em grande estilo para uma viagem solitária pela Europa e por mim mesmo. Dormi até tarde após assistir ao jogo de pólo aquático feminino entre as seleções alemã e espanhola – sem dúvida, uma reprise. Acordei tarde, acessei meus e-mails – não dá pra negar: sou um geek – preparei dois posts para o blog – o esperado final da história de Pisa. Depois saí.

O objetivo de hoje era visitar o Aquarium, que fica no porto de Barcelona. Como tenho feito desde que voltei para a Espanha, vou a pé para todos os lugares. Uma hora de caminha desde a praça Lesseps até a praia. Bem, seria uma hora se eu fosse direto. Hoje fui curtindo a La Rambla. Observando os artistas, o comércio. Parei no mercado público – uma espécie de Mercado Municpal que temos em São Paulo – e tomei dois copos de suco natural, um de kiwi e outro de manga com laranja, por míseros 1 euro!!! Nem em São Paulo sai tão barato. E estavam uma delícia. Foi bom ver a agitação do local: lembrou a minha terra. Comprei meio quilo de cogumelos frescos por 50 cents de euro (e espero que cheguem inteiros em Sampa) e observei as frutas. Tâmaras graúdas, medindo uns 10 centímetros tranquilamente! Estar apenas com uma nota de 100 euros nessa hora não foi legal. Eu realmente teria comprado algumas. Quem sabe ainda consiga amanhã? Mas não conto com isso.

Após 1:40 hs, cheguei ao cais. Já eram 20:45 e receava que o Aquarium já estivesse fechado. Atravessei a Rambla del Mar, dei a volta pelo cais, passando pelos restaurantes que ficam à beira do Mediterrâneo, passei pelos cinemas, pelo shopping e cheguei ao destino as 21:00 em ponto. No verão, eles fecham as 21:30. Não importava. Queria estar lá, ouvi falar muito bem do local. Paguei os 17 euros para entrar – facada – e comecei o tour. No início, nada impressionante. Comecei a questionar se os 51 reais (sim, 17 euros na taxa de câmbio que paguei) teriam valido mesmo a pena. Liguei a câmera para fazer o filme abaixo e foi aí que descobri a primeira maravilha do lugar.

TUBARÕES! Sim, tubarões nadando a apenas alguns centímetros de mim, sequer dando pela minha presença. Separados por um vidro, sim, mas ali, em minha frente. Queria realmente ter uma licença para mergulho naquela hora. Não há dúvida que causam medo, mas são também fascinantes! Nadam com extrema leveza e mesclam essa leveza com mudanças bruscas de direção. Sem dúvida, gostaria de mergulhar lá. O passei prossegue com uma passagem através de um túnel de vidros por dentro do aquário. É fascinante: arraias passando sobre minha cabeça, tubarões – esses ainda maiores. Sim, os 17 euros valeram cada centavo!

Sai do Aquarium maravilhado – depois de deixar mais alguns euros na lojinha deles – e parei para comer à margem do Mediterrâneo. Minha última noite na Europa e em Barcelona – cidade que tão bem me recebeu – e quis aproveitar ao máximo. Comi uma pechuga de pollo con ensalada de pasta que estava uma delícia. Não me permiti a sangria: só vendiam jarras de 1 litro e eu não gostaria de desperdiçá-la. Ainda teria que voltar – andando – para o hotel. Gastei bem menos do que imaginei e, após atravessar a Rambla del Mar de volta para a terra, parei no cais e sentei, olhando o Mediterrâneo mais um pouco. Não sei quando o voltarei, mas me despedi dizendo que nos veríamos novamente. E espero mesmo voltar. Fiz questão de voltar a pé, apesar de já ser mais de meia noite. Queria realmente aproveitar cada instante. Em algum momento logo no início da caminhada, Billi Holiday já não era a música que queria ouvir naquela caminhada. Mudei para ColdPlay. Agora sim… Viva la Vida foi perfeito. E caminhei. Caminhei. por uma hora, caminhei apreciando os prédios que tantas vezes vira, as ruas, os sons, os sotaques, as luzes. Não caminhei com melancolia, mas com saudades. De certo, se me apaixonei por Roma, foi Barcelona quem me deixará saudades.

Espero voltar um dia. Espero.


A interrogação no título desse post não é a toa. É bem provável que os dias que se sigam ainda tenham trechos perdidos do meu diário, idéias soltas, pensamenos, comentários esquecidos. Devo falar também das mudanças que vi, das que não vi e das que nunca aconteceram até o ponto em que a viagem seja apenas uma lembrança feliz, sem as partes que tanto me causaram tristeza, angústia e desespero. Até o ponto que as cicatrizes dessa viagem – as boas e as ruins – sejam tão parte de mim que sequer saberei o que é cicatriz e o que sou eu. O que quer que aconteça, o que quer que essa viagem mude ou solidifique, será parte de minha história, portanto, será apenas eu.

Apenas eu.

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