O Contrasenso do Consenso


É comum ouvir pessoas falando de uma tal “solução de consenso”. É um discurso bonito, amigável, mas pouco prático. Sim, pouco prático e explico.

Sou um cara que gosta de conversa e discussão. Discussão não é briga, é argumentação. Gosto de ter minhas idéias contestadas – e isso não significa que eu vá ou não mudar opinião. Significa que gosto do desafio da argumentação.

A argumentação, ao contrário do que dizem alguns, não visa buscar o consenso ou meio termo. Isso chama negociação. A argumentação serve para: convencer alguém; ou chegar à melhor solução.

E a melhor solução quase nunca tem a ver com consenso. E nem com certo ou errado. Tem a ver com entender o problema e buscar resolvê-lo. Exemplo: Se um quer azul e outro quer vermelho, o consenso é o roxo. Em outras palavras: o consenso não agrada a ninguém totalmente. Não digo que um verde não possa ser a melhor solução, mas só será se agradar a ambos os negociadores. E é isso que somos: negociadores. Mas para negociar, tem que argumentar.

Para fechar: ceder é diferente de consenso. E muitas vezes, melhor. Imagine um casal. Ou melhor, dois casais. O primeiro sempre age por consenso: nunca é aquilo que um ou outro deseja. Já o segundo trabalha com concessões: um cede uma vez e faz a vontade do outro, e na vez seguinte, inverte.

Qual vocês acreditam que se dará melhor? Não, não vou responder. Quero a opinião de vocês para isso. O que acham?

6 comentários sobre “O Contrasenso do Consenso

  1. Muito bom!
    Gostei bastante da abordagem e aposto na negociação.
    Os argumentos precisam ser construtivos e organizados dentro de uma arquitetura de participaçao, nao anuladores de idéias divergentes. Integrar para expandir, acredito nessa ideia. Mas integrar da melhor forma, e não misturando tudo por misturar. Se eu quero vermelho, o roxo nao funcionaria comigo, a não ser que me convençam do contrário.

    Abs.

  2. É algo muito inteligente ter dialogo que tem idéias contestadas, sabe lhe dar com um ambiente, ceder é alimentar a ignorância dos meros mortais.

  3. Pingback: uberVU - social comments

  4. ai ai… lá vamos nós. Acabei de falar sobre ceder no blog de uma amiga e em uma carta: ceder para mim é algo paliativo. Eu costumo ceder, só para não decidir nada em ambiente hostil. Depois que a poeira desce, retomo a discussão para ter o efeito que você disse: resolver a situação, mesmo que não fique bom para ninguém!

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