Diário de Viagem 2010 – Profundidade


Último dia em Madrid. Foi complicado fechar a mala: ainda não calibrei a quantidade de roupas para uma viagem assim e acabei trazendo 1 camiseta para cada dia, um exagero. Pelas minhas contas (e pela roupa que ainda está por usar na mochila, 2 por dia é suficiente. Se precisar de mais, compra-se, oras – como acabei fazendo: comprei uma camiseta do Arsenal em promoção no El Corte Inglés e pretendo comprar ainda a La Roja, antes da final. Calça, trouxe uma e foi ok. Duas bermudas também ficou de excelente tamanho, mas sempre com a idéia: poderia trazer menos e deixar mais espaço para algumas compras por aqui. O Julio – de quem falei em outro post – está na Europa há um ano e carrega tudo o que precisa. E certamente roupas são fáceis de comprar.

Começou a bater uma vontade de voltar pra casa hoje de manhã, antes de sair do hotel. Ainda não entendo bem a razão: a viagem está divertida, ontem foi fantástico na praça a noite, mas acordei assim. Ficou pior na hora de arrumar a mala (deixei propositalmente para o último minuto). Suspeito que tenha a ver com raízes. Talvez a mesma razão que me fez excluir Zaragoza – ou mesmo Paris – do roteiro e preferir ficar mais tempo em Madrid. Que eu não sou um mochileiro clássico já descobri há algum tempo, mas começo a me conhecer como viajante: prefiro conhecer bem onde estou a conhecer muitos lugares diferentes apenas superficialmente. E, assim como foi no ano passado, gosto de conhecer a cidade, não as obra de arte ou os pontos turísticos: em 4 dias em Madrid, peguei o metro apenas uma vez até agora. Pegarei novamente logo mais, mas faço isso porque gosto de ver o povo, ouvi-los falar, ver as lojas onde compram suas coisas, ver as coisas que compram. Penso que essas cidades mais famosas na Europa tem duas facetas distintas: a cidade dos turistas e a cidade do povo. Aqui em Madrid é mais misturado que Paris, por exemplo, mas não creio que o Louvre seja Paris, nem a Fontana di Trevi é Roma. São lugares para turistas, não para romanos ou parisienses. E quero saber desses, quero saber como vivem, o que fazem, como falam.

Suspeito que seja isso. Nesse ano fico duas semanas na Europa – contra 3 do ano passado – e visito apenas 3 cidades (Lisboa, Madrid e Barcelona), contra 9 no ano passado. E me sinto muito melhor. Descobrir isso não me surpreende de todo: é a minha característica como consultor também. Tenho grande dificuldade com projetos curtos, pois preciso entender o todo antes de começar, e isso leva tempo. Em compensação, para projetos longos consigo um resultado bem superior à média. Entender o todo, para mim, é imprescindível para compreender as partes. Meu coordenador na faculdade diria que isso tem a ver com a minha visão sistêmica­¹. Penso que ele tem razão.

Mas agora vou sair e conhecer – finalmente – o estádio Santiago Bernabeu, do Real Madrid (eles se dizem os melhores do mundo. Sei…)


1 – Para não ser muito chato, mas não deixá-los boiando: Essa parte da teoria sistêmica diz que, uma vez que estão ligadas, as partes influenciam no todo, logo, influenciam umas nas outras. Em português: Se alguém lhe pisa forte na unha encravada, é bem provável que você fique irritado o dia inteiro e a dor que sente na ponta do pé deixará sua feição carrancuda. E o que tem a ver o pé com a boca? São parte do mesmo sistema: o corpo humano.

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