Qualidades e defeitos… mesmo?

Um dos meus textos preferidos neste blog – provavelmente o preferido – é Amor e Respeito, onde aponto porque acredito que amor é uma decisão, não um sentimento. Mesmo sendo um dos textos mais comentados, não é, necessariamente, o texto mais “concordado”. E é natural, não espero mesmo que todos concordem. Acho até bem chato se assim o fosse. Mas esse texto – e minha forma de enxergar a questão – normalmente leva a outras discussões correlatas, e uma delas envolve a questão das qualidades e defeitos.

Algo que muitas vezes falo é que não gosto de olhar a questão como “qualidades e defeitos”, como contraposições que tornariam a pessoa melhor ou pior. Penso que pessoas tem características (que outrora foram chamadas de qualidades, ou “qualificações”, aquilo que as caracteriza). E essas características podem ser boas ou ruins para mim, ou para você, de acordo – ora, vejam – com as suas próprias características. Darei um exemplo extremo: imagine que o João tenha um problema com uma glândula e tenha, portanto, um suor muito fedido. Isso seria um defeito (e sem politicamente correto nesse blog, ok?). Mas, imagine que a Maria tenha outro defeito: ela não sente cheiros. Puxa, aquilo que, precipitadamente, chamamos “defeitos” se torna, para Maria e João, algo indiferente. Não, não se tornaram boas qualidades, se tornaram apenas características irrelevantes.

João e Maria, claro, não existem (ou existem nas histórias de bruxas), mas nós existimos. Não gosto de baladas. Não acho que isso seja um crime, apenas não gosto. Na verdade – precipitadamente – até considerava isso uma qualidade em si. Mas nos meus dois relacionamentos anteriores, isso se transformou em um “defeito”, pois eu era o cara caseiro, que preferia ver um filme com pipoca, ir a um restaurante, a ir dançar a noite inteira. E por que isso? Pois me relacionei com mulheres que consideravam isso um defeito, visto que elas gostavam de sair pra dançar a noite toda. E quem está errado? Oras, que mania de achar que alguém está errado. Ninguém estava errado por isso. Era apenas uma combinação ruim de característica. Sem culpados.

O que, então, penso sobre isso? Que não importam defeitos ou qualidades das pessoas, mas importa mesmo como essas características vão se relacionar com as suas próprias características. Sim, os “defeitos” do outro estão muito mais relacionados aos nossos do que imaginamos.

No fim, isso está relacionado à questão da admiração que coloco no texto Amor e Respeito.


PS: Um detalhe, eu tenho milhões de defeitos (sim, defeitos mesmo). Individualmente, coisas que me atrapalham a vida, que me criam dificuldades, barreiras. O texto, porém, não fala disso, mas de relacionamentos.

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Sexxx

Não me recordo de já ter indicado aqui, mas certamente já o citei. Dessa vez, portanto, venho indicar o Sexxxchurch, um site cristão sobre sexualidade.

Apesar de muitos verem os temas como paradoxos (sexo e cristianismo), é importante uma visão equilibrada sobre o assunto. Cristãos fazem sexo??? Há pessoas que acreditam que não! Incrível, mas real. E também tem dúvidas, desejos, conceitos e, inclusive, fetiches.

Bem, recomendo mesmo a leitura do blog e que assinem o RSS. Os caras mandam bem e gosto muito quando leio. Principalmente pelo desafio que é levar algumas verdades na cara.

Tem coragem?

Mel

“Não sou como a abelha saqueadora que vai sugar o mel de uma flor, e depois de outra flor. Sou como o negro escaravelho que se enclausura no seio de uma única rosa e vive nela até que ela feche as pétalas sobre ele; e abafado neste aperto supremo, morre entre os braços da flor que elegeu.”

Roger Martin du Gard

Eterno enquanto dure

“Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim… Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível… E que esse momento será inesquecível…”

Mário Quintana

A morte do Jesus

“Jesus foi trazido de Brasília nesta manhã e seguiu direto do aeroporto de Congonhas para o cemitério. Familiares e amigos velavam o corpo reservadamente, sem acesso do público, até as 18h, quando o velório foi aberto aos demais interessados. O enterro está marcado para 9h de sábado.

A mãe, muito abatida, chegaria somente no final da noite para passar a madrugada ao lado do filho. Apesar do clima tranqüilo, policiais militares acompanharão o enterro e o cemitério reforçou a segurança.”


Essa é uma descrição real, de uma matéria saída no portal Terra ontem a noite sobre o torcedor são-paulino assassinado por um policial militar em frente ao estádio do Gama, mas me lembrou muito a descrição de outro enterro que aconteceu há uns 2000 anos. Jesus – o mesmo nome – não foi levado de Brasília para o sepulcro, mas não teve grandes honras. Seu corpo só foi liberado após muita intervenção junto ao governo da época. Ele também morreu de forma desonrosa, visto por muitos. Ele não estava fazendo baderna no estádio de futebol, mas também incomodava muito as autoridades. Também fo enterrado em uma sexta-feira, próximo às 18 horas. Sua mãe também se abatia e queria estar junto ao seu filho. E, sim, a segurança fora reforçada.

 

E aqui acabam as semelhanças. O Jesus que morreu em 2008, o Nilton, poderia ou não ser filho de Deus, mas não foi ele que foi enviado para salvar. A morte dele, do Cristo, não aconteceu por um jogo de futebol, um time, um título. Não, ele morreu no lugar de outros. De todos os outros. Condenado sem culpa, morreu sem culpa para que os culpados fossem livres.

Natal de JesusPerto do final do ano, é comum vermos mensagens bonitas sobre isso, sobre o nascimento, o natal de Jesus. E durante o restante do ano? O nascimento dele pode ou não ter acontecido em 25 de Dezembro (eu creio que não), mas não importa a data, mas o significado: o Deus que se fez carne e habitou entre nós. E, mais do que viver, aquele que morreu para dar vida. Contraditório assim. Paradoxal assim. Imcompreensível assim.

E simples assim.

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos sua glória, glória como do unigênito do Pai” (João 1:14)