Aquela coisa sem nome

“Dentro de nós há uma coisa sem nome, essa coisa é o que somos
J. Saramago


Passamos muito tempo de nossa vida – em alguns casos, ela toda – buscando saber quem somos. Perdidos em um mundo de rótulos, ansiamos uma etiqueta que nos diga quem somos, e que diga aos outros quem somos. Muito grande a tentação de nos definirmos. Alguns se definem pela sua profissão – dr. José, prof. João, pr. Malaquias -, outros pelo time que torcem – Manuel Tricolor, Zé Fiel, Tião Verdão – , e alguns ainda em função de características físicas: Carlão, Marquinhos, Carequinha, Bolacha, Zóio, Japa. Muito grande a tentação de nos definirmos.

Mas, a despeito dos rótulos, a pergunta permanece: quem somos nós? Quem sou eu?

E eu respondo com outra questão: isso realmente importa? Buscamos nos definir em redes sociais, em currículos, em descrições de nós mesmos e auto-biografias, mas isso realmente importa? Talvez sejamos pessoas diferentes em cada momento, em cada fase, em cada lugar. Ou talvez sejamos apenas esse ser humano multifacetado. Quem nós somos realmente?

A mim, me importa outra questão: quem eu serei no momento em que precisar ser apenas eu mesmo, diante de quem realmente se importa? Desnudo de todas as máscaras e fantasias, quem eu serei?

Diário de Viagem 2009 – Explorador

Me perguntaram se estou explorando o mundo ou descobrindo a mim mesmo. Ainda não sei o que estou buscando, mas hora descubro pedacinhos do mundo, ora descubro pedacinhos de mim.

Ambos me causam assombro.

Dissertação

Caros,

Decidi postar aqui a minha dissertação, na sua versão integral, para quem se interessar poder ler um pouco do meu trabalho. Estou com um artigo aprovado em congresso internacional também. Assim que tiver sido publicado lá, disparo ele aqui também

Por hora, seguem as 143 páginas de muito trabalho, suor e alegria.

A morte do Jesus

“Jesus foi trazido de Brasília nesta manhã e seguiu direto do aeroporto de Congonhas para o cemitério. Familiares e amigos velavam o corpo reservadamente, sem acesso do público, até as 18h, quando o velório foi aberto aos demais interessados. O enterro está marcado para 9h de sábado.

A mãe, muito abatida, chegaria somente no final da noite para passar a madrugada ao lado do filho. Apesar do clima tranqüilo, policiais militares acompanharão o enterro e o cemitério reforçou a segurança.”


Essa é uma descrição real, de uma matéria saída no portal Terra ontem a noite sobre o torcedor são-paulino assassinado por um policial militar em frente ao estádio do Gama, mas me lembrou muito a descrição de outro enterro que aconteceu há uns 2000 anos. Jesus – o mesmo nome – não foi levado de Brasília para o sepulcro, mas não teve grandes honras. Seu corpo só foi liberado após muita intervenção junto ao governo da época. Ele também morreu de forma desonrosa, visto por muitos. Ele não estava fazendo baderna no estádio de futebol, mas também incomodava muito as autoridades. Também fo enterrado em uma sexta-feira, próximo às 18 horas. Sua mãe também se abatia e queria estar junto ao seu filho. E, sim, a segurança fora reforçada.

 

E aqui acabam as semelhanças. O Jesus que morreu em 2008, o Nilton, poderia ou não ser filho de Deus, mas não foi ele que foi enviado para salvar. A morte dele, do Cristo, não aconteceu por um jogo de futebol, um time, um título. Não, ele morreu no lugar de outros. De todos os outros. Condenado sem culpa, morreu sem culpa para que os culpados fossem livres.

Natal de JesusPerto do final do ano, é comum vermos mensagens bonitas sobre isso, sobre o nascimento, o natal de Jesus. E durante o restante do ano? O nascimento dele pode ou não ter acontecido em 25 de Dezembro (eu creio que não), mas não importa a data, mas o significado: o Deus que se fez carne e habitou entre nós. E, mais do que viver, aquele que morreu para dar vida. Contraditório assim. Paradoxal assim. Imcompreensível assim.

E simples assim.

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos sua glória, glória como do unigênito do Pai” (João 1:14)

Três coisas que eu não acredito

Li uma entrada (muito divertida) no blog do Tiago Luchini intitulada Três coisas que eu não acredito (ele, por sua vez, se baseou no Indexed). Daí, pensei: “Que ‘três coisas’ eu não acredito?”

Vai abaixo:

  • Viagem no Tempo: sim, eu sei que já foi realizado um teste que mudava um átomo de lugar e tudo mais. E também sei que, em teoria, o tempo pode ser “dobrado”, de forma a propiciar viagens através dos “buracos de minhoca” (vide Física Quântica), mas esse post é sobre acreditar ou não. Não acredito em viagem no tempo por duas razões simples (e não creio que sejam simplistas). A primeira, tem a ver com uma questão “metafísica”, que trata da alma. Não acredito que a “alma” (seja a definição que se queira dar) possa ser teleportada dessa forma. Sim, alguém poderia dizer que a alma, metafísica que é, poderia se teleportar sem a necessidade do aparelho. É uma possibilidade? Sim. Mas eu não acredito. Haveria que se comunicar o computador com a alma, e já me parece bastante complexo conectá-lo à mente. A segunda razão (essa sim, simples e simplista, mas lógica) é o fato que nunca recebemos uma visita do futuro (ao menos eu nunca recebi, hehehe) que “prove” na existência de tal tipo de viagem. Mas, se você quer se divertir com o assunto, indico a leitura de O Guia do Mochileiro das Galáxias, onde explicam, inclusive, que não há problema maior em se voltar ao passado e ser seu próprio pai. Hehehe…
  • Socialismo/comunismo e seus adeptos: novamente, por duas razões. A primeira, a evidência histórica. É uma piada acreditar que possa haver socialismo/comunismo em uma sociedade livre e “justa”. A liberdade, se dá por meio de prisões e mortes. A “justiça” se nivela por baixo, deixando todo mundo “justamente pobre”, enquanto uns poucos mamam nas tetas da população. Até no Brasil já fazem isso. Não sou “fã” do capitalismo: e, sim, acredito que ele é cruel. Mas confesso que não consigo pensar em algo mais “justo”. E, nas minhas viagens, já tentei diversas vezes. Até para a “democracia” e suas mazelas, eu daria meu pitaco, mas não no modelo econômico. O capitalismo, a despeito de tudo, tem a seu favor a possibilidade de alguém inventar algo revolucionário e se tornar um megamilionário (chances raras, eu sei, mas existem). Ao menos é um modelo que visa beneficiar o esforço e a genialidade contra o “QI” (Quem Indica). Além disso, os “comunistas” que conheci até hoje tem seus próprios relógios, seus próprios carros e suas próprias (muitas vezes, gordas) contas bancárias. Até Saramago já é chamado de “comunista vendido”.
  • Ateísmo: Novamente, questão de fé. Mas não acredito mesmo em ateísmo, nem em ateu. Acredito, sim, que há pessoas que não acreditam/aceitam o Deus cristão, que cultuam a Lua, o Sol, a Ciência, o Tom Cruise. Mas não consigo conceber alguém que não tenha uma própria “crença” acerca de uma “força superior”. Penso que o mais convicto ateu tende a “acreditar” na teoria do Big Bang, por exemplo. Sim, eu disse “teoria”, pois é o que é. Por mais “plausível” que possa ser para alguns, a mim, continua faltando o “o que havia antes do pontinho preto no meio do Universo?”. Eu entendo que havia Deus (e antes dele? Ele). Outros acreditam que havia Tupã. Outros, que havia um pontinho preto. Mas não acredito em alguém que não acredite.
Sim, deixei de fora o Papai Noel (pois eu já o vi quando era criança), o Saci Pererê, o Grilo Falante e o Pinóquio. Também deixei de fora os unicórnios que “cagam” doces e o “mercado livre”. O primeiro, pois é uma questão que pode ser resolvida com manipulação genética, o segundo, pois preciso antes entender o que é esse tal de “mercado”, essa entidade viva, maquiavélica e cruel, que come criancinhas e bebe petróleo. Só então poderei falar de liberdade”.

Se vc é blogueiro, entre nessa também: “Quais são as três coisas que você não acredita?”