Sem frases de efeito

Tomei por princípio não apoiar esse movimento enquanto não for clara a reivindicação.
Não assino papel sem ler, não compartilho sem saber por quê

É corrupção? Estou dentro!
É educação? Faço os cartazes!
É inflação? Eu topo!

Mas quando algo é “tudo”, então não é nada.

É pedir pra ser bucha de canhão em guerra alheia. E eu não vou ser.

Diário de Viagem 2009 – Anjos e Demônios

2009-07-08 - Itália - Roma (101)

Hoje é meu aniversário! Acabo de acordar depois de cair na cama exausto. Dormi com a roupa que estava, celular na mão, do jeito que cheguei ao quarto. E acho que é isso que querem saber agora: que quarto? Então deixo para falar do meu aniversário depois e vou falar da noite de ontem, dia 09 de Julho.

Não sabia bem o que fazer quando o safado do cara do albergue me devolveu o dinheiro da reserva. Peguei aquelas moedas sem acreditar muito no que estava acontecendo: eu estava em uma pequena cidade de um país estranho que fala uma língua que não domino – sequer consigo compreender facilmente – e são quase meia-noite. O cara até ligou pra outros albergues e não conseguiu nada. No fim, descobriu um hotel que cobrava o dobro do valor e eu deveria sair até as 10:00 da manhã. Achei absurdo! Não pelo valor: cheguei a pagar mais em Barcelona, mas pela atitude sem vergonha! Quando eu falei que ia voltar para a estação, o safado nem pra se prestar a me dar uma carona (ele tinha acabado de buscar uma guria lá). Mafioso!

Sem saber o que fazer, mandei algumas mensagens. Mandei SMS para a Elizabeth e para o Andrea perguntando se tinham idéia de algum lugar para eu ficar. Mandei para a Deby, em Sampa, avisando do infortúnio e confesso ter ficado ainda mais irritado. Elizabeth tentou alguns amigos, mas não havia lugar para dormir. A Deby perguntou do dinheiro pago pela reserva – a fim de saber se nem isso era garantia mais – mas, nervoso como estava, entendi isso como uma preocupação com a grana e não comigo. Parei de responder as mensagens.

Uma vez em Pisa, já contando que a minha “festa” de aniversário em frente à torre tinha ido pro espaço, fui até a praça, carregando a mochila e a mala e tirei algumas fotos. Ao menos teria as fotos da torre a noite como “presente”. Na torre, alguns jovens ainda tiravam fotos, outros bebiam. Um casal me pediu que tirasse algumas fotos deles. Foi difícil conversar a princípio: ele quase não falava, ela falava demais, mas não entendia inglês direito. Quem raios você são? Perguntei de onde eram. O rapaz disse que era inglês e aparentemente não sabia de onde era a moça. Muito estranho. Perguntei a ela. Resposta: “I’m from Brazil”. C’mon, man! Atravesso o oceano para topar com brasileiros em todas as cidades por onde passei!!! Tirei algumas fotos deles – agora com uma comunicação mais fácil. Ela era de Recife, mas morava em Amsterdã. Não perguntei muito mais que isso. A moça quis tirar uma foto comigo – virei atração turística na terra da torre torta – e me perguntou o que fazia ali naquele horário – certamente após ver a mala ao meu lado. Contei a história. É engraçado. Ela tentou me ajudar. Disse que não sabia se tinh vaga no hotel em que estavam, que o hotel era ruim mas poderia me levar até lá. Agradeci, mas já tinha me conscientizado a ir pra estação, dormir por lá até o primeiro trem para qualquer lugar e partir.

Tomei rumo pelas ruas da cidade de volta à estação ferroviária. É gostoso andar pelas cidades a noite na Europa. A sensação de tranquilidade e segurança são notórias. Tirei algumas fotos, mas estava realmente triste. As fotos, por mais lindas que fossem sob uma lua cheia de um céu limpo, não me animavam.

Próximo à pontezinha – aquela – recebi uma mensagem do Andrea: Daniele encontrou um hotel para mim! Ele disse que me encontraria na ponte e, já que eu estava lá perto, aguardei. Tirei mais fotos (lindas fotos) daquele simpático 2009-07-10 - Itália (2)riozinho. De repente, ele ficou mais bonito. Andrea me encontrou e pediu que esperassemos por Daniele, que viria com a confirmação – ou não – da vaga no hotel. Ele lamentou muito tudo aquilo, pediu desculpas pela cidade. Eu realmente não culpava a cidade, nem poderia. Safados há na Itália, no Japão ou no Brasil. Mas eles, por alguma razão, se sentiam muito mal com tudo aquilo.

Ao chegar, Daniele estava chateada: não havia mais vagas lá. Eu disse que estava tudo bem, que iria para a estação numa boa. Eles pediram que eu fosse com eles ver outro hotel – bem mais caro. Eu disse que não, que era o dobro do valor que eu iria pagar e tudo mais, mas insistiram. Daniele pegou minha mala e saiu andando. Simples assim. Perguntaram se eu tinha comido. Quase não comi na viagem, ainda mais numa situação dessas. É estranho: ao contrário da maioria das pessoas, quando estou ansioso perco o apetite. Tenho fome, meu estômago chega a roncar, mas não consigo comer. Andrea me comprou um kebab. Não foi abuso, eu estava com o dinheiro na mão para pagar e ele mandou que eu guardasse. Caramba, o que estava acontecendo??? Eles disseram que era meu presente de aniversário. Poxa, mas nem me conheciam! Daniele disse que se eles estivessem em São Paulo e acontecesse isso, o que eu faria? Já os havia convidado a conhecer Sampa e pensei na situação. Ok, opções de hotel em São Paulo não faltam, mas imaginei eles sozinhos a meia-noite na Grande Cidade sem falar português. Deu medo. Aceitei o kebab.

No caminho ao hotel, eles disseram que já que o hotel era o dobro, eles pagariam metade – como presente de aniversário. Que eles queriam que eu tivesse um boa estada na cidade deles e que não levasse má impressão. Disse que não, que eu podia pagar e tudo mais. Nem me deram chance de discutir. Realmente eu não tinha uma má impressão de Pisa. Nem da Itália – apesar de alguns enrolões. Não tinha jeito de discutir com o simpático e prestativo casal de italianos. Resolvi deixar a coisa correr.

2009-07-10 - Itália (6)No hotel, sem pestanejar, Daniele saca a carteira e paga a diária… toda! Eu queria bater nos dois! Mas eles faziam aquilo com alegria, não dava pra discutir. Estavam realmente felizes em ajudar. Me levaram até o quarto – Andrea carregando minha mala. E só me deixaram quando eu estava instalado. Foi fantástico!!! Deram-me um abraço de feliz aniversário e fiquei muito feliz.

Dormi como um bebe. Sequer troquei de roupa. Do jeito que sentei na cama, caí pro lado e dormi – uma das noites mais tranquilas da minha viagem. No dia seguinte, mandaram-me mensagens de feliz aniversário, perguntaram como fora minha noite e me desejaram uma boa viagem para Firenze (Florença). Não puderam me encontrar, pois estavam trabalhando naquela sexta-feira de manhã.

Me arrependo de não ter tirado uma foto com eles. Espero que tenhamos outra oportunidade. De alguma maneira, acho que teremos.

No meio da tarde

Estacionamento na rua: 10 reais

Ingresso para o jogo: 20 reais

Assistir um jogo do São Paulo no Morumbi, no meio da tarde em dia da semana: não tem preço!


Ontem fomos – eu e meu irmão – assistir no Morumbi à vitória Tricolor por 2 x 1 sobre o Guaratinguetá, com gols de Dagolberto e Washingol. O estádio até que estava com bom público (principalmente para o dia e horário): 13 mil pessoas. Mas, como ouvi na faculdade a noite, 13 mil no Morumbi parece vazio. Com o trânsito de São Paulo naquele horário, chegamos no intervalo, mas valeu a brincadeira. Não só pelo jogo e pela vitória tranquila, mas pela companhia e pela história pra contar. É uma das vantagens de trabalhar a noite…

Frutinha

Uma boa dica que encontrei hoje. O blog Frutas do eja traz uma verdadeira coletânea de estilos gastronômicos disponíveis em Sampa City. O blog traz postagens de restaurantes, lanchonetes e outros ambientes passando da culinária persa ao famoso pastel (famoso em Sampa, né) e outras.

Confesso que me empolguei em conhecer os diversos restaurantes. Dos que vi, o persa e um vegetariano me chamaram mais a atenção. E você, qual será a pedida?

TrânZito

O título desse post é proposital, antes que algum metido a “eXperto” venha me encher. Sei que é com S, mas travado do jeito que anda, poderia muito bem ser com Z. Não é essa a razão, porém, do bendito Z. O que quis foi simular um erro, uma falta de conhecimento, ou, para os mais diretos, uma burrice. Sim, penso que esse é o maior problema no trânsito hoje: “falta de inteligência”. Como pode, como vi ontem, um cara parar uma BMW de quina em uma rua estreita, deixando espaço para “quase” um carro passar. Ligou o pisca e foi embora. Sei lá porque, será que quebrou a carroça do fulano? Não importa! Importa que o tiozão poderia muito bem apenas virar o volante um pouco, soltar o freio de mão e deixar a tal da gravidade fazer o resto. O dondoco não precisaria de nenhum esforço (já que o carro devia ter direção hidráulica), além de acordar o Tico e o Teco. Mas é difíiiiiicil…

Hoje pela manhã, mais dois exemplos da incapacidade do motorista paulistano. Ambos os fatos ocorreram no mesmo cruzamento e com intervalo de meros… 5 segundos!!! Sim, isso mesmo. O primeiro, bizarríssimo, fez com que eu e os demais pedestres apenas ríssemos, tamanha a falta de lógica do caso: uma senhora em um Ecosport vermelho encostada atrás da faixa de pedestres do lado esquerdo da rua ficou olhando no retrovisor enquanto um ônibus saia do terminal Vila Mariana. Até aí, tudo normal, certo? Sim, seria certo, não fosse o fato de ela arrancar com o Ecosport na frente do ônibus assim que ele se aproximou, atravessar a rua para a esquerda e entrar na Domingos de Moraes!!! Ninguém acreditava!! Até o motorista ficou parado, olhando a imbecilidade daquela pessoa. Assim que o ônibus, finalmente, cruzou a nossa frente, logo atrás um sujeito com uma van faz A MESMA COISA, mas no sentido inverso: atravessa do lado direito e estaciona no lado esquerdo, no mesmo lugar que a Eco estava parada (será que era o Ponto dos Asnos?). O motorista de trás, dessa vez, não deixou barato e largou a mão na buzina, para delírio do boçal que dirigia a van e ficou xingando não sei quem de não sei o que.

É bizarro, mas penso que todas as políticas públicas em relação ao trânsito paulistano (muito bem vindas, em sua maioria) deveriam levar em conta essa dimensão tão simples e esquecida: as pessoas tiram carta mas não sabem dirigir. Não acho que as “reciclagens” que os Detrans obrigam a cada cinco anos sejam suficientes. E também não acho que devam haver mais. Penso, apenas, que as provas de direção deveriam ser mais criteriosas e rígidas. Tanta tecnologia à nossa disposição e não usamos. As pessoas poderiam, antes de serem submetidas ao teste de direção prática, passar por simuladores que a jogariam em situações de risco e stress, a fim de testar a reação prática antes de largar mais um Horácio* nas ruas da metrópole.

No fim, uma grande ajuda para o trânsito (educação) deveria vir mesmo é de casa…


HorácioA referência ao Horácio, personagem preferido de seu criador, Maurício de Souza, é, para quem não sabe, em função dos seus “limitados” membros superiores, que o tornariam um motorista bastante limitado.

O Dia em que São Paulo parou (ou apenas mais um dia de chuva)

É até redundante falar do trânsito de São Paulo. Moro aqui há 27 anos e não me surpreendo com isso. Ontem, por exemplo, demorei 2:30 para chegar perto de onde eu deveria ir. E perto, quer dizer perto mesmo: uns 5 ou 6 quilometros. O único problema é que cheguei lá (perto, lembre) com 1 hora de atraso. Em um trajeto que levo 40-45 min, saí com 1:30 de antecedência para garantir, mas nem mesmo essa prudência foi suficiente. Perdi meu compromisso, paciência. Encostei num McDonalds lá perto e comi uma caixinha de nuggets com suco de laranja (Seria um Tang? aliás, o site da Kraft Foods no Brasil ponta para o site da Trakinas… e só!). Já irritado, descobri que a empresa dos arcos amarelos reduziu a caixinha de Nuggets de 12 para 10. Por que razão??? O pior: antes essa versão ganhava dois molhos, ontem tive que comprar a parte. Só contribui para reduzir ainda mais minhas visitas, mas voltemos.

Após 20 minutos comendo e lendo um livro (ok, 5 comendo e 20 lendo), fui para o carro, respirei fundo e… força na peruca para encarar o trânsito. Liguei (tardiamente, admito) na Sulamerica Transito, FM 92,1, para descobrir que eu era apenas 4 metros de carro ante os 170 km de congestionamento no horário. Apenas  0,0000235 % do problema. Aliás, fica a dica: o serviço dos caras de informe de caminhos alternativos e situação das ruas e avenidas é excelente, levando o conceito de Web 2.0 para as ondas do rádio. Recomendo! Voltando: psicologicamente preparado para encarar mais 1:30 h, pelo menos, de trânsito até devolver o carro na casa dos meus pais, surpreendi-me – 20 minutos depois – que já estava em casa. Sim, 20 minutos de Osasco até Santana. Ok, mais uns 6 ou 7  entre Santana e Parada Inglesa, mas nada que se possa dizer “Santa Tartaruga, Batman!

Depois disso, a despeito da carona que me foi oferecida, não pude recusar os 25 min de metrô, confortavelmente sentado, lendo meu livro até chegar em casa novamente, depois de 6 horas fora.