Diário de Viagem 2012 – Brasileiros

Ontem, enquanto assistíamos ao jogo Alemanha e Itália numa lanchonete no centro de Frankfurt (e, incrivelmente, a Alemanha perdeu, mantendo um tabu), conhecemos o Igor, um paraense que está há dois anos em Frankfurt, estudando e trabalhando como garçom.

Antes de mais nada: não somos chineses, mas estamos no mundo inteiro 😛

Mas, por que citei o Igor? Só mais uma prova da diferença de estrutura. Igor nos contou que, há alguns meses, foi para o Brasil passar um tempo com a família e teve uma infecção que demandou cuidados médicos. Sem plano de saúde (já que não mora lá), acabou sendo tratado no serviço público: injeção de pé, mal tratamento. Seu comentário resume muito do que penso: nós, brasileiros, gastamos muito com coisas que deveriam funcionar mas não funcionam (serviços de saúde, infraestrutura de transporte).

Na prática, jogamos nosso dinheiro no ralo…e, no Brasil, ele sempre entope.

Always welcome Home, House

O amigo ama em todo o tempo; e para a angústia nasce o irmão.
Provérbios 17:17


Nessa semana a Universal Channel apresentou o último episódio da série House (ao menos em terras tupiniquins, já que estávamos com 4 semanas de defasagem em relação ao original nos EUA).
Que sou mega fã da série, não é segredo. Que me identifico (muito), não é surpresa. Junto com 24 Horas, foi a série que acompanhei inteira: em ambas, chegava da aula correndo (às terças, na primeira; às quintas na segunda) para assistir.

Também tenho uma teoria sobre a bondade de House há alguns anos, mas falo disso em outro post, outra hora. Agora, o último episódio.

Num primeiro momento, decepção, conforme relatei no Twitter ontem:

Ok, o último episódio de #House não ficou a altura da série: começou bem, perdeu fôlego e terminou…so, so…
Mas, valeu, Hugh Laurie! Trouxe a vida um dos mais complexos, integrantes e divertidos personagens.

Uma série para lembrar.

Hoje, porém, acordei pensando nisso (sim, fã tem dessas coisas) e cheguei à conclusão que aquilo que parecia “simples demais” era, na verdade, a resposta mais direta e reta, mais irônica e sagaz, ao melhor estilo House de ser

Acordei pensando exatamente isso: ele foi egoísta ao extremo por oito anos. Quando foi sua vez de ser altruísta, foi o mais extremo possível também: deu sua vida pelo amigo. Ao extremo.

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House

Ele ferrou com seu próprio futuro, com seus relacionamentos, abriu mão de seus enigmas (sua verdadeira paixão), sua identidade, para retribuir – da forma mais intensa possível – uma amizade verdadeira. Sem ressalvas, sem condições. Foi além do tradicional “dar a vida” que falamos significando “morrer por”. Ele realmente “deu” a vida “ao” amigo (e não “pelo” amigo).

E quando Wilson o questiona, dizendo que ele nunca mais poderá voltar a ser quem era, a resposta é um sonoro (na prática) “sem sua amizade, eu não seria mesmo”:

“Como você quer passar seus últimos cinco meses?” (House)

Aquela coisa sem nome

“Dentro de nós há uma coisa sem nome, essa coisa é o que somos
J. Saramago


Passamos muito tempo de nossa vida – em alguns casos, ela toda – buscando saber quem somos. Perdidos em um mundo de rótulos, ansiamos uma etiqueta que nos diga quem somos, e que diga aos outros quem somos. Muito grande a tentação de nos definirmos. Alguns se definem pela sua profissão – dr. José, prof. João, pr. Malaquias -, outros pelo time que torcem – Manuel Tricolor, Zé Fiel, Tião Verdão – , e alguns ainda em função de características físicas: Carlão, Marquinhos, Carequinha, Bolacha, Zóio, Japa. Muito grande a tentação de nos definirmos.

Mas, a despeito dos rótulos, a pergunta permanece: quem somos nós? Quem sou eu?

E eu respondo com outra questão: isso realmente importa? Buscamos nos definir em redes sociais, em currículos, em descrições de nós mesmos e auto-biografias, mas isso realmente importa? Talvez sejamos pessoas diferentes em cada momento, em cada fase, em cada lugar. Ou talvez sejamos apenas esse ser humano multifacetado. Quem nós somos realmente?

A mim, me importa outra questão: quem eu serei no momento em que precisar ser apenas eu mesmo, diante de quem realmente se importa? Desnudo de todas as máscaras e fantasias, quem eu serei?