Porque a vida é agora

6 12 2007

Há um video comercial e um poema que foram magnificamente utilizados pela bandeira VISA de cartões de crédito no ano de 2004. O texto me marca muito… me lembra a música Epitáfio, dos Titãs.

Abaixo, a letra e o vídeo (infelizmente, desconheço o autor)

A vida é agora

A gente se acostuma a medir a vida em dias, meses, anos…
Mas, será que é mesmo o tempo que mede a nossa vida?
Ou a gente devia contar a vida pelo número de sorrisos?
De abraços? De conquistas? Amores?
De sucessos e fracassos?

Por que ao invés de dizer tenho tantos anos, a gente não diz: tenho três amigos, oito paixões, quatro tristezas, três grandes amores e dezenas de prazeres?

A gente vai vivendo e, às vezes, esquece que a vida não é o tempo que a gente passa nela, mas o que a gente faz e sente enquanto o tempo vai passando.

Dizem que a vida é curta, mas isso não é verdade. A vida é longa pra quem consegue viver pequenas felicidades. E, essa tal felicidade vive aí disfarçada, como um criança traquina brincando de esconde-esconde.

Infelizmente, às vezes não percebemos isso.
E passamos a nossa existência colecionando nãos.
A viagem que não fizemos;
O presente que não demos;
A festa a qual não fomos;
O ensinamento que não aprendemos;
A oportunidade que não aproveitamos.

A vida é mais emocionante quando se é ator e não espectador.
Quando se é piloto e não passageiro; pássaro e não paisagem.

Como ela é feita de instantes não pode e não deve ser medida em dias ou meses, mas em minutos e segundos.





Brazil

23 12 2009

Acabo de me deparar acidentalmente – aqueles acidentes que só são possíveis graças a essa tal de Internet – com um blog delicioso sobre viagens. Na verdade, dois (o segundo não foi acidental, pois foi em decorrência do primeiro). Mas sem delongas.

O primeiro é o Brasil com Z, uma espécie de portal colaborativo de brazucas morando ao redor dessa pequena aldeia global, contando suas aventuras, desventuras, impressões, dicas e sugetões. O segundo é o Coisa Parecida, que é quase a mesma coisa, mas escrito por apenas um dos colaboradores do primeiro. Me diverti lendo algumas histórias e lembrando de minha passagem pelo Velho Continente.

Para quem já viajou, pode até ajudar com textos para o blog. Para quem nunca foi, leia e passe vontade. Se bem que agora fiquei com mais vontade de visitar minha querida Barcelona de novo.

Ai, ai…





Uma igualdade diferente

22 12 2009

Muito se fala sobre igualdade, sobre sermos todos iguais e blá blá blá. Concordo? Em partes. Concordo que somos – ou deveríamos ser – todos iguais perante a lei, perante o Estado, perante a sociedade, como partes dela. Mas discordo quanto a essas idéias tolas de tratar os diferentes como iguais. O que quero dizer com isso? Leia com calma, pois o assunto é por demais espinhoso.

Começo com um exemplo simples, um portador de necessidades especiais que necessita de uma cadeira de rodas para sua locomoção. Somos iguais? Não! Eu posso descer as escadas do metrô, subir num ônibus, atravessar ruas.

Por Fábio Motta/AE

Ele precisa de adaptações: calçadas rebaixadas, elevadores nos metrôs. Isso me torna melhor que ele? Não! Apenas nos faz diferentes. Diferentes em como agimos, mas iguais como cidadãos. E é justamente essa igualdade que torna forçoso que o Estado rebaixe calçadas e monte elevadores: porque tanto eu quanto eles temos o mesmo direito de ir e vir, apesar de nossas diferenças. E é justo que seja assim. Justo por duas razões aparentemente conflitantes: porque somos diferentes entre nós, mas porque somos iguais perante a lei. Dessa forma, o mesmo direito que tenho eu de andar na rua, tem ele. E assim como eu exigiria que o Estado consertasse um buraco na calçada que me impede de trafegar por ela, ele tem o dever de exigir que faça guias rebaixadas para sua locomoção. Simples e cristalino.

E qual a diferença com alguns discursos que andam por aí, mais rasos que um pires? A diferença está justamente na constatação da… diferença! Não é uma igualdade cega, mas justamente a diferença que nos torna iguais. Se ignoramos as diferenças, cometemos alguns erros, pecados fatais. Ignorar a diferença entre a minha forma de locomoção e a de um cadeirante é o que faz as calçadas altas e as escadas para os metrôs. Constatar a diferença nos leva a tratamentos diferentes para pessoas diferentes, mas sempre movidos para atingir um fim comum: a igualdade perante a lei. É a constatação da diferença de condição física que criou os bancos especiais para idosos. E foi a constatação de diferenças físicas que criou a cota para negros nas faculdades? Não! Aliás, NÃO! Um retumbante não! A diferença física da cor da pele não torna alguém de fato diferente como indivíduo, que os digam os amarelos, por exemplo.  Esse papo de “dívida histórica” é desculpa de gente preguiçosa. Uma cota para estudantes de escolas públicas – a despeito de sua cor – faz muito mais sentido, pois aí há diferença: no nível de ensino que os governos proporcionam e que a iniciativa privada proporciona. Essa é uma diferença real a ser tratada. Isso é igualdade de fato: tratar as diferenças para promover igualdade, não criar diferenças para gerar desigualdades.

Mas há um discurso raso, vestido de bom moço, que anda por aí a contar moçoilas desavisadas. O tal bom mocismo já está montando um harém. Que medo!





La Revolución

21 12 2009

A verdadeira revolução é silenciosa. É a revolução do espírito.


Sou um revolucionário. Me considero um. Não como os bons e velhos revolucionários – certamente mais velhos do que bons -, mas um revolucionário de espírito, mais do que de “ação”. Acredito na revolução pelas armas como forma de mudar algo, mas não acredito que a revolução pelas armas mude algo de fato. Como diria o escritor político italiano Tomasi de Lampedusa, “é preciso que tudo mude para que se mantenha como está”. Para quem já leu Maquiavel, o injustiçado e também italiano, é fácil compreender isso: Derrubar um governo por armas é mais fácil. Mantê-lo é mais difícil. Acho os velhos – e não tão bons – revolucionários um tanto míticos demais, bonzinhos demais, falsos demais. A

Personagem ou mito? Depende para quem pergunta

coisa me cheira muito mais a disputa de poder do que revolução. A verdadeira revolução é silenciosa. É a revolução do espírito.

Tenho uma terrível tendência a não me conformar, a não aceitar as coisas facilmente: sejam pensamentos, moldes ou padrões. Tendo a questionar e realmente acho isso uma virtude. O questionamento refina e fortalece as boas idéias. Ele consolida a fé. Mas para as idéias frouxas, o questionamento é letal: ele as expõem em sua vergonha e falta de profundidade, diferencia os papagaios dos pensadores, daqueles que se debruçam a esmiuçar uma idéia, um conceito até, ao final, descobri-lo apto a sobreviver ou apenas a repetir mantras pré-fabricados por outros papagaios. E é por isso que me considero revolucionário: ninguém gosta de questionamentos. Ou quase ninguém. Mas é justamente o questionamento, o confronto de idéias que separa uns de outros. Joio e trigo.

E o que tem a revolução na história? Bem, a revolução em que acredito é a silenciosa, que muda o espírito, a forma de viver. Não é um ou outro governo quem o fará, é o indivíduo. Esperar que um governo faça tudo não me parece sensato, me parece cômodo. E não é o comodismo que move o mundo, mas o incômodo, a necessidade humana de não ficar parada. A escada existe por conta do incômodo das escaladas em pedras. Os livros, pelo incômodo custo das aulas oratórias. A televisão pelo incômodo de pegar o carro e ir ao cinema. A pipoca do cinema… bem, isso é um incômodo inexplicavelmente agradável. Não para quem está ao lado.

O inconformismo nos leva a buscar novas maneiras de fazer algo de forma melhor, mais rápida, mais barata. Esperar que outro o faça – seja o governo, seja seu pai – é traçar um objetivo, levantar velas e deixa-las seguir ao sabor do vento, esperando que este te leve onde quer chegar. Nem Cabral acreditava nisso: é preciso agir!

Qualquer revolucionário que não questione a si mesmo antes de tudo, para mim, é só massa.

E massa serve para ser amassada e cozida… e comida! As massas são o alimento dos tiranos.





Twitteratura – Antiofídico

20 12 2009

Cansou de agüentar cobras e lagartos. Depois de anos, demitiu-se do Butantã.

Vai encarar?





Let it snow! Está nevando no blog!

20 12 2009

Visite a página deste blog e veja: está nevando!

Ho ho ho!





Fim de ano e lá vamos nós de novo

19 12 2009

Fim de ano… mensagens bonitas… compras… abraços… lágrimas… sorrisos… 13º… promessas… promessas… promessas… E rotina!

Sim, a velha rotina do novo ano, igual, ano após ano, final de ano após final de ano. E dizemos que o ano passou voando, e fazemos planos e promessas para o ano seguinte, muitas das quais sabemos de antemão que nunca iremos cumprir. Mas faz parte do rito. Faz parte da rotina. E ninguém se preocupa com isso, apenas repete.

Mas mensagens de final de ano são – supostamente – felizes, não tristes. “Para de encher, seu mala”, dirão alguns, com razão. E eu direi: “Oras, é só parte da minha rotina de reflexões de final de ano”.

Ano que vem tem mais… e lá vamos nós de novo!


Não, essa não é a última do ano, é só uma. Talvez mais uma, mas semana que vem passo aqui com um post mais alegre :D





Twitteratura – Camargo

18 12 2009

Cadê???

Camargo

Quase imóvel, o médico segurava a radiografia contra a luz. “Por que o silêncio, doutor?” “Esse é o eclipse mais belo que já vi.”





Sobre panetones e cuecas

18 12 2009

Por Renato Andrade, jornal A Cidade

Fonte: A Cidade, de Ribeirão Preto





Meio cheio

10 11 2009

meio cheio?Only the mediocre are always at their best.
Jean Giraudoux

Apenas os medíocres estão sempre no seu melhor.
Jean Giraudoux





Sombras e pó

12 10 2009
O que nos torna humanos são os sonhos

O que nos torna humanos são os sonhos

Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

Mário Quintana


Não é segredo minha profunda admiração pela obra de Quintana. É possível ler um pouco mais aqui e aqui. E, dentre as tantas pérolas desse mago das palavras, Utopia é a minha preferida, conforme se lê acima.

Marcando meu retorno a essa minha casa, decidi oferecer-lhes esse poema. E não apenas a palavra, mas meus pensamentos. Não é a beleza fonética, a rima, ou as estrelas que me fascinam. Mas  possibilidade de sonhar. E sonhar com o que se deseja, sem a necessidade de morrer por isso. Mas com a possibilidade de viver por isso. Em meu Diário de Viagens, falei sobre o Coliseu no texto Sonhos e Pó e fiz referência a essas questões. Quintana não fala de estrelas, mas de sonhos e de lutar pelos sonhos e – o mais importante – da presença dos sonhos. Você não precisa persegui-los, menos ainda se forem difíceis. Mas é importante tê-los, mantê-los.

Muito do que nos faz humanos não é carne. sangue, sombras ou pó.

O que nos torna humanos são os sonhos.





Na passarela

29 09 2009

Não preciso de modelos
Não preciso de heróis
Eu tenho meus amigos

Renato Russo